Triângulo da Tristeza: um magnífico retrato sobre a condição humana e a sociedade

5 estrelas Cannes Críticas

Ruben Östlund realizou em 2017 o filme “O Quadrado“, que venceu a tão cobiçada Palma de Ouro no Festival de Cannes, e o filme que realizou de seguida foi este “Triângulo da Tristeza“, que também venceu a Palma de Ouro. E se uma Palma de Ouro não é certamente fácil de conquistar, duas ainda menos, e muito menos de seguida. No entanto, foi isso mesmo que Ruben Östlund conseguiu e, a meu ver, fez isso com dois filmes únicos e brilhantes.

O que consegue elevar os filmes deste realizador, a um patamar superior e especial, é a sua habilidade em criar cenas e situações quase que irreais e perturbadoras com um sentido lato de crítica social que não conseguimos escapar, atraindo e envolvendo o público numa discussão interna e externa, acrescentando ainda uma pitada de comédia e tragédia, tal e qual a cereja no topo do bolo, como se costuma dizer. Östlund é um mestre na árdua tarefa de arriscar ao misturar tudo isto e mesmo assim apresentar um ‘produto’ final que nos deixa rendidos.

Triângulo da Tristeza” segue a história de um casal de jovens modelos que é confrontado com questões sociais ligadas às suas vidas profissionais, como a sua imagem pública, redes sociais, relações pessoais, rendimentos, e como tudo isso os molda de forma diferente, sendo depois confrontados com tudo isso numa viagem a bordo de um iate de luxo onde as coisas não correm como seria de prever.

O confronto de ideologias, hierarquias sociais, modos de vida e muitas outras questões são aqui apresentadas e dadas ao espectador para não só reflectir internamente, mas para se rir às gargalhadas em algumas cenas e no entanto enojar-se noutras. E o mais impressionante é que tudo isto flui em sintonia, e nunca sentimos que estamos a ser forçados a pender mais para um lado ou outro, e essa abertura de pensamento e de abordagem também é uma característica que aprecio bastante nos filmes de Östlund.

Este filme é mais uma adição de grande qualidade à filmografia deste realizador, que está cada vez mais a entrar para a curta lista de realizadores consagrados que têm uma visão única e especial dentro do imenso mar de filmes que estão constantemente a estrear. Aconselho vivamente este filme e também a que descubram e explorem a obra deste grande realizador. “Triângulo da Tristeza” está agora a ser exibido nas salas de cinema em Portugal.

Classificação: 5 em 5 estrelas. Texto escrito por André Marques.

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