“Aniki-Bóbó” restaurado em 4K estreia em Veneza

“Aniki-Bóbó” restaurado em 4K estreia em Veneza

Cinema Português Notícias Veneza

A nova cópia digital restaurada de ANIKI-BÓBÓ, primeira longa-metragem de Manoel de Oliveira (1908–2015), terá a sua estreia na secção Venice Classics da 82.ª edição do Festival de Veneza, que decorre entre 27 de agosto e 6 de setembro de 2025.

Exibido pela primeira vez a 18 de dezembro de 1942 no Cinema Éden, em Lisboa, ANIKI-BÓBÓ marcou a carreira daquele que viria a ser uma das figuras maiores da história do cinema mundial. Inspirado no conto Os Meninos Milionários, de Rodrigues de Freitas, e protagonizado por crianças do Porto, ANIKI-BÓBÓ é uma fábula sobre o mundo infantil onde se espelham, como o próprio Oliveira escreveu em 1954, “os problemas do Homem, problemas ainda em estado embrionário: o bem e o mal, o ódio e o amor, a amizade e a ingratidão”, sugerindo-se “o medo da noite e do desconhecido, a atração da vida que palpita em todas as coisas à nossa volta, contrastando com a monotonia do que é fechado, limitado por paredes, pela força ou pelas convenções”.

Esta nova cópia resulta da digitalização 4K, por imersão em janela líquida, do negativo de câmara original de 35mm e do negativo de som ótico, complementados por cópias de distribuição, sendo todos estes materiais fílmicos conservados pela Cinemateca Portuguesa. A digitalização, o restauro digital e a correção de cor foram realizados ao abrigo de uma parceria entre a Cineric Portugal e a Irmã Lúcia – Efeitos Especiais, enquanto o restauro digital do som foi efetuado pelo Estúdio BillyBoom, em 2024, com base numa cópia de época. A digitalização e o restauro foram coordenados pela Cinemateca Portuguesa, no âmbito do projeto FILMar, parte do Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants) 2020–2024.

Depois da apresentação dos restauros digitais de FRANCISCA, na edição de 2019 do Venice Classics, e de VALE ABRAÃO, na Quinzena dos Realizadores em 2023, reafirma-se o reencontro do público com a obra incontornável de Manoel de Oliveira. Destaca-se também que, em 2024, foi publicada a obra mais completa até à data sobre o cineasta: um catálogo raisonné da sua filmografia, editado pela Cinemateca Portuguesa e a Fundação de Serralves, atualmente disponível na Livraria Linha de Sombra, loja de Serralves e outros pontos habituais.

O restauro terá a sua estreia na secção “Venice Classics”, no Festival de Veneza, e chegará às salas portuguesas em breve.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *