Cena do filme “My Sextortion Diary”, de Patricia Franquesa

Vencedores: 12º Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival

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O documentário My Sextortion Diary, que retrata o crime de sextorsão, da realizadora espanhola Patricia Franquesa, venceu o Prémio de Longa-Metragem do 12º Olhares do Mediterrâneo – Women’s Film Festival. Após roubarem o seu portátil, um hacker ameaça divulgar fotos íntimas de Patricia, exigindo dinheiro em troca do silêncio. Com pouca ajuda das autoridades, ela decide conduzir a sua própria investigação, para tentar recuperar a privacidade e o controlo sobre a sua vida. “Recusando o papel de vítima, ela reivindica a sua imagem e a sua narrativa”, justifica o júri, composto pela realizadora e antropóloga Catarina Alves Costa e pelas programadoras culturais Deborah Micheletti e Teresa Althen. “O resultado é um filme urgente e profundamente atual: cru, político e profundamente emancipador”, acrescenta o júri.

A Menção Honrosa na competição de longas-metragens foi para Echo of Sunken Flowers, da italiana Rosa Maietta, “pela dedicação e imaginação da realizadora ao dar vida a estas histórias, ligando o passado ao presente”. O documentário mergulha no Arquivo do Estado de Nápoles, reconstruindo as trajetórias de mulheres há muito esquecidas e silenciadas.

O prémio de Melhor Curta-Metragem foi para Made of Sugar, da espanhola Clàudia Cedó. Composto por Catarina Ramalho, Cláudia Clemente e Ena Rahelić, o júri distinguiu este filme pela “abordagem profundamente humana, sem paternalismos em relação às pessoas com deficiência”. “O filme lança luz sobre a profundidade emocional e a relevância social das suas vidas, bem como sobre o peso emocional que as atravessa”, justifica o júri.

Chikha, uma co-produção entre França e Marrocos, pelas mãos da dupla Zahoua Raji e Ayoub Layoussifi, recebeu uma Menção Honrosa na competição de curtas-metragens. O filme “celebra a coragem e a força de vontade das mulheres através de uma realização dinâmica e delicada — planos e montagem que sublinham o retrato íntimo da realizadora sobre uma sociedade presa às diferenças de classe e às suas restrições”.

O prémio da secção Travessias, dedicada a filmes que abordam migrações, racismo e colonialismo, foi atribuído a Almost Certainly False, da realizadora turca Cansu Baydar, “pela verdade íntima e pela força de transformar o simples em essencial”. “O filme destaca-se pelo jeito com que transforma o quotidiano de uma jovem mulher refugiada numa reflexão sobre força e empoderamento feminino, sem cair em estereótipos”, segundo o júri, formado por Marcia Mansur, Sara de Melo Rocha e Talita Carvalho.

Na mesma secção, foi atribuída uma Menção Honrosa a This home is ours, da palestiniana Shayma’ Awawdeh, “uma obra sobre a coragem de duas mulheres que fazem da câmara um instrumento de defesa e de testemunho”. De acordo com o júri, “o filme impressiona pela força das suas personagens, pela relevância do tema e pela tensão presente em cada imagem”.

Já o prémio da secção Começar o Olhar, dedicada a filmes de escola, foi atribuído ao documentário Diorama, da italiana Elena Conti, que, “com uma linguagem visual inovadora e poética, explora temas muito relevantes, como o drama da emigração e a ideia de pertença”. Segundo o júri, formado por Ana Bilankov e Rita Benis, “o filme experimenta ousadamente jogar com a forma, combinando imagens em movimento e estáticas, criando uma rica experiência visual e emocional”.

Na mesma secção, foi ainda atribuída uma Menção Honrosa a Cantos da Metamorfose Ou Aquela Vez Em Que Eu Encarnei Como Boto, de Ainá Xisto, uma co-produção entre Portugal e Brasil. “Esbatendo a linha entre a realidade e o além, o filme abre passagem para outras culturas, outras dimensões e profundezas ocultas dentro de nós próprios”, diz o júri. A curta-metragem Viajante 1, filme português que faz uma homenagem aos primórdios do cinema, de Luísa Villas-Boas, venceu o Prémio Inatel, concedido a produções portuguesas.

A longa-metragem Shrinking Space (Espanha), de Cristina Mora e Norma Nebot, e a curta-metragem Palestine Islands (França), de Nour Ben Salem e Julien Menanteau, foram os filmes mais votados pelo público.

A programação do Festival continua: Guardadoras de Histórias, Guardiãs da Palavra, de Raquel Freire, será apresentado no Museu do Aljube no dia 4 de novembro. De 3 a 6 de novembro na Cinemateca Portuguesa, serão exibidos quatro filmes de duas cineastas balcânicas, a realizadora e produtora bósnia Jasmila Žbanić e a actriz e realizadora sérvia Mirjana Karanović. A Good Wife será exibido a 3 de novembro, seguido por uma conversa com Mirjana Karanović.  No dia seguinte, 4 de novembro, ela também apresentará Esma’s Secret, de Jasmila Žbanić, vencedor do Urso de Ouro na Berlinale de 2006, onde interpreta a protagonista. A mostra inclui mais duas obras de Jasmila Žbanić: On The Path (2010), apresentado a 5 de novembro, em que um ex-combatente encontra no radicalismo religioso o único refúgio contra os seus traumas, e Quo Vadis, Aida? (2020), em programa a 6 de novembro.

FILMES VENCEDORES:

«Competição Longas-metragens»

Vencedora

MY SEXTORTION DIARY

Patricia Franquesa

Menção honrosa

ECHO OF SUNKEN FLOWERS

Rosa Maietta

«Competição Curtas-metragens»

Vencedora

MADE OF SUGAR

Clàudia Cedó

Menção honrosa

CHIKHA

Zahoua Raji e Ayoub Layoussifi

«Competição Travessias»

Vencedora

ALMOST CERTAINLY FALSE

Cansu Baydar

Menção honrosa

THIS HOME IS OURS

Shayma’ Awawdeh

«Competição Começar a Olhar»

Vencedora

DIORAMA

Elena Conti

Menção honrosa

CANTOS DA METAMORFOSE OU AQUELA VEZ EM QUE EU ENCARNEI COMO BOTO

Ainá Xisto

Prémio Inatel

VIAJANTE 1

Luísa Villas-Boas

«Prémios do público»

Melhor Curta-metragem

PALESTINE ISLANDS

Nour Ben Salem e Julien Menanteau

Melhor Curta-metragem (2º lugar)

EZDA

Halime Akturk

Melhor Longa-metragem

SHRINKING SPACE

Cristina Mora e Norma Nebot

Melhor Longa-metragem (2º lugar)

APOLLON BY DAY ATHENA BY NIGHT

Emine Yildirim

Melhor Longa-metragem (3º lugar)

MULHERES, TERRA, REVOLUÇÃO

Rita Calvário e Cecília Honório

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