A edição deste ano do Periferias voltou a ultrapassar todas as mais entusiastas expectativas e atraiu às sessões cerca de 7 mil espectadores, tendo várias delas contado com várias centenas de pessoas. Um êxito sem precedentes, que contou com a presença de críticos, programadores, jovens cinéfilos e nomes do panorama cultural tão relevantes como Noiserv ou Maria de Medeiros.
Quanto a vencedores, o filme La niña de la cabra, da cineasta Ana Asensio venceu esta que foi a 13ª edição do Festival Internacional de Cine Periferias. O Prémio Tejo Internacional Reserva da Biosfera foi novamente atribuído a uma mulher, isto depois da vitória no ano passado de Margarida Gramaxo, com Lindo.
Trata-se de uma história de amizade profunda e sincera que brota de forma natural entre duas raparigas que não foram contagiadas por esse vírus que em espanhol se chama “prejuicios” e em português “preconceitos”.
Para o júri o filme tem um valor humanista: “hoje, quando o vírus do racismo e da xenofobia ameaça converter-se em pandemia, a direção magistral da realizadora convida-nos a abrir os olhos perante estes desafios que continuam a ser vigentes nos dias de hoje, mesmo sendo uma história passada numa periferia de Madrid do final dos anos 80”.
Os jurados Manuel Baptista, da Loulé Film Office, a cineasta Mafalda Salgueiro e Javier Clemente, crítico, fizeram ainda questão de atribuir a menção honrosa a Beira- Para Além dos Rio Uruguai, de Daniela Farinha e João Fernando Lucas.
SOBRE O PERIFERIAS 2025 E A RIQUEZA CULTURAL DO POVO CIGANO
Esta décima terceira edição de Periferias acolheu grandes títulos cinematográficos de géneros como a ficção, o documentário e a animação, provenientes de diferentes países, promovendo o diálogo e o fortalecimento dos laços entre povos vizinhos, assim como diversas ações dirigidas ao público infantil. Tudo isto, sob o signo da busca de novas oportunidades através do cinema para alcançar a justiça, a integridade e a ética social.
Este ano, o tema central girou em torno da riqueza cultural do povo cigano, com a exibição de longas-metragens, documentários e concertos musicais que têm como objetivo aproximar a história e a cultura cigana, além de reconhecer as contribuições do povo cigano à sociedade, através das artes cénicas e audiovisuais.
DESTAQUES
Merece atenção especial o documentário Chaplin, espírito cigano, dirigido pela neta do reconhecido ator inglês, Carmen Chaplin, que foi exibido na extensão de Cáceres, no âmbito desta décima terceira edição, em colaboração com a Filmoteca de Extremadura.
Além do filme vencedor, A menina da cabra, de Ana Asensio, também se destacam outros títulos, como o filme documentário A guitarra flamenca de Yeray Cortés, dirigido pelo artista madrileno Antón Álvarez (C. Tangana), ou a curta-metragem documental Entrelaçadas pela interseccionalidade, do Coletivo Cala, que recolhe os relatos, reflexões e afetos da Associação de Mulheres Ciganas de Plasencia, o Movimento de Mulheres Migrantes da Extremadura e a AMPA de Membrío.
A programação incluiu ainda diferentes títulos com importantes reconhecimentos nos melhores festivais de cinema internacionais, provenientes de diferentes países como Espanha, Peru, Portugal, Brasil, México, Chile, Países Baixos, França, Roménia, Argentina, Uruguai, Cabo Verde e Suíça.
Esta décima terceira edição regressou a cenários emblemáticos das localidades fronteiriças de Marvão, Beirã, Valencia de Alcántara, Salorino, La Fontañera, Castelo de Vide, Galegos ou Portalegre, e, pela primeira vez, chegará a Alconchel e a Cáceres.
Tudo isto, com o objetivo de contribuir para uma descentralização cultural, impulsionando o desenvolvimento das comunidades com as quais trabalha, assim como fomentar o acesso a uma oferta cultural relevante, priorizando a criação de novos públicos.
A XIII edição do Festival de Cinema Periferias arrancou em Marvão com a exibição do filme O Último Azul de Gabriel Mascaro, e encerrou com uma grande gala de encerramento no Centro Cultural de Salorino onde foi entregue o Prémio Tejo/Tajo ao melhor filme, após o qual foi exibida a longa-metragem Sorda dirigida por Eva Libertad.
EXTENSÕES PERIFERIAS
Antes da XIII edição do Festival, foram realizadas uma série de extensões nas localidades de Arronches, 4 e 5 de julho, Portalegre, 11 e 12 de julho, Cáceres, 17 de julho, Piedras Albas, 25 e 26 de julho, e Alconchel, 1 e 2 de agosto, com uma ampla programação que incluiu cinema, música, arte e lazer.
COLABORAÇÕES
O festival Periferias conta com os apoios institucionais da Junta de Extremadura, das diputaciones de Badajoz e Cáceres, além da Câmara Municipal de Marvão, entre outras instituições, assim como o patrocínio de Azeites Castelo de Marvão do Lagar Museu António Picado Nunes.
