18 Buracos para o Paraíso, o novo filme de João Nuno Pinto, estreia a 10 de junho nas salas de cinema portuguesas, assinalando um momento inédito no panorama cinematográfico nacional. Produzido pela Wonder Maria Filmes e distribuído pela NOS Audiovisuais, o filme torna-se simultaneamente o primeiro filme português a receber a certificação Green Film e a estrear em circuito comercial com recursos de Audiodescrição e Legendas Descritivas disponíveis em sala.
Esta dupla distinção coloca 18 Buracos para o Paraíso na linha da frente de uma nova geração de produções cinematográficas que procuram integrar preocupações ambientais e sociais ao longo de todo o processo de criação e exibição.
A certificação Green Film reconhece a implementação de práticas sustentáveis durante a produção, distinguindo projetos que reduzem o seu impacto ambiental através da gestão responsável de recursos, mobilidade, energia e resíduos. A atribuição deste selo faz de 18 Buracos para o Paraíso a primeira obra cinematográfica portuguesa a alcançar este reconhecimento internacional.
Paralelamente, o filme estreia com recursos de Audiodescrição e Legendas Descritivas, numa iniciativa da AMPLA, permitindo que pessoas cegas ou com baixa visão, bem como pessoas surdas ou com deficiência auditiva, possam acompanhar a obra em contexto de exibição comercial.
Os recursos estarão disponíveis através da aplicação MovieReading, podendo ser utilizados durante as sessões regulares do filme nas salas de cinema aderentes. “Esta estreia representa um importante passo no caminho para um cinema mais acessível em Portugal. A disponibilização de audiodescrição e legendas descritivas em contexto comercial continua a ser uma exceção no panorama nacional, mas acreditamos que a acessibilidade deve tornar-se uma prática regular e não uma iniciativa pontual“, refere Rita Gonzalez, fundadora da AMPLA.
Com estreia mundial no Tallinn Black Nights Film Festival e passagem por festivais internacionais como o Mar del Plata International Film Festival, o Festival Internacional de Cinema de Guadalajara e o IndieLisboa 2026, 18 Buracos para o Paraíso apresenta um retrato intenso de um território marcado pela seca extrema, pelas transformações sociais e pela crescente pressão económica sobre os recursos naturais.
Num Alentejo sufocado pelo calor e pela escassez de água, três mulheres — interpretadas por Margarida Marinho, Beatriz Batarda e Rita Cabaço — vêem os seus destinos cruzarem-se numa herdade à beira da venda. À medida que um incêndio se aproxima e o futuro daquele lugar se torna cada vez mais incerto, emergem tensões familiares, desigualdades sociais e feridas de um passado comum.
Contada a partir de diferentes perspetivas femininas, a obra explora temas como pertença, herança, poder, desigualdade e colapso ambiental, refletindo sobre a relação entre as pessoas e os territórios que habitam.
Para João Nuno Pinto, “esta é, na sua essência, uma história sobre o fogo, tanto literal como metafórico, nascido de um pensamento predatório, uma forma de ver o mundo que continua a dominar e a empurrar-nos em direção ao abismo“.
Ao tornar-se o primeiro filme português a conjugar certificação ambiental e recursos de acessibilidade em exibição comercial, 18 Buracos para o Paraíso afirma-se como um exemplo de que a inovação no cinema não acontece apenas no ecrã, mas também na forma como os filmes são produzidos e partilhados com o público.
