O filme realizado por James Dawson conquistou o “Grande Prémio Ambiente” do CineEco 2026, na competição internacional de longas-metragens. Derek vs Derek enquadra o espectador em Devon (Reino Unido) uma pacata zona rural marcada pela relação entre dois agricultores vizinhos com o mesmo nome, mas com diferentes visões sobre o uso da terra. A 32.ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela contou com mais de 3000 espectadores, 1120 alunos das escolas do concelho de Seia e arredores e a presença de 45 cineastas de 15 países. A entrega dos prémios CineEco 2026 aconteceu este sábado, às 17H00, no auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia. O CineEco 2027 já tem data marcada e acontecerá de 8 a 16 de outubro, com o mesmo propósito – usar o cinema para pensar a nossa relação com o ambiente e o território.
A relação desconcertante, mordaz e divertida entre o produtor de leite Derek Banbury, horrorizado com a devastação da quinta do seu vizinho, outrora produtiva, e o “rebelde da renaturalização” (como é apelidado na imprensa), Derek Gow, antigo criador de gado determinado a transformar as suas terras num refúgio para a natureza, conquistou um dos mais importantes galardões da 32.ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela. O júri do Grande Prémio Ambiente (oferecido pelo Município de Seia) realça no filme de James Dawson, Derek vs Derek (2026): “Num contexto de evidente polarização política e cultural, é difícil imaginar pontos de convergência. A procura de soluções para os problemas que enfrentamos, particularmente os de natureza ecológica, continua refém de questões como a aparente complexidade da sua implementação, a resistência à mudança, a dificuldade em estabelecer o diálogo e a falta de vontade política.”
A Menção Honrosa ficou para o filme THE SYSTEM (2025) de Joris Postema (Países Baixos).
Já o Prémio Camacho Costa, que integra a Competição de Longas-Metragens em Língua Portuguesa, foi atribuído à realizadora, artista visual e atriz brasileira Bárbara Paz. RUA DO PESCADOR N.º 6 (2025) é um documentário sensível (a preto e branco) sobre a histórica enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, uma catástrofe que desnudou mais uma urgência climática no Brasil, em específico na região de Porto Alegre onde mais de 600 mil pessoa s ficaram sem casa e bairros inteiros permaneceram submersos durante dias. Entre pausas para recuperar o fôlego, silêncios, o visível e o invisível, o júri destaca: “os ângulos e os movimentos de câmara em determinadas cenas do filme conduzem-nos, metaforicamente, às emoções e aos sentimentos. Aquilo que fica para trás — a riqueza daquelas pessoas, o seu património material e imaterial. As emoções indescritíveis — a dor, o desespero e a perda.”
Já o Prémio Antropologia Ambiental, inserido nas Competições de Longas-Metragens Internacionais, seguiu para o comovente e íntimo IRON WINTER (2025), do realizador australiano Kasimir Burgess. O filme acompanha o jovem Batbold no maior desafio da sua vida: proteger mais de mil cavalos durante o inverno mais mortífero de que há registo no remoto vale de Tsakhir, na Mongólia. O júri sublinha o facto de o filme explorar “as tensões entre ancestralidade e tecnologia, tradição e mudança, sem as reduzir a simples
oposições .”
1,5 Y MÁS (2026) do cineasta espanhol Miguel Dorado arrecadou o Prémio Curta e Média-Metragens Internacional. O júri destaca o “enredo cativante e instigante, aliado a uma excelente execução técnica” sobre as grandes questões do nosso tempo, “oferecendo múltiplas camadas de interpretação.”
A Menção Honrosa foi atribuída a REMIGIA′S LESSONS, de Jewel Maranan (Filipinas).
A Melhor Curta e Média-Metragens em Língua Portuguesa foi para o filme da dupla de cineastas Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança, FLORESTA DO FIM DO MUNDO (2026). ALGUMAS COISAS QUE ACONTECEM AO LADO DE UM RIO (2026) de Daniel Soares ficou com a Menção Honrosa.
O Prémio Educação Ambiental foi para o documentário brasileiro GUERREIROS PLANTADOS (2026), de José Carbonel e Rui Mendonça. O Prémio Curta-Metragem de Ficção, Não Ficção e Animação foi entregue a EL CANTO DEL JAGUAR (2026), de Antonia Silva Alvarado (México).
Já o Prémio Curta-Metragem de Animação seguiu para ALLER & RETOUR (2025), de Lucia Bulgheroni e Michele Greco.
Na Competição Panorama Regional, o júri premiou MAÇOS E MARTELOS (2025), de Tiago Cerveira, um documentário sobre o gesto ancestral que ainda ecoa nas serras do interior de Portugal. O jovem realizador é um repetente no CineEco, só nesta categoria conquistou já três galardões em 2015, 2019 e 2020. Foram ainda entregues os Prémios Especiais, que abrangem todas as competições do CineEco: “Prémio Valor da Água” a BLACK WATER (2025) de Natxo Leuza e o “Prémio Juventude” a LA FJELLA LEVE (2026) de Håvard Bustnes.
Filmes em competição
A 32.ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela voltou a ter uma participação significativa de filmes candidatos à Seleção Oficial – das 410 obras (entre filmes de ficção e documentários, nacionais e internacionais, em vídeo, película ou digital), integrou mais de 100 filmes de 34 países: 86 obras concorreram às seis secções competitivas da programação oficial do CineEco. Só na Seleção Internacional de Longas-Metragens, 10 documentários foram estreia absoluta em Portugal, retratando narrativas ambientais pertinentes sobre modelos económicos, os novos desafios do ativismo ambiental, apartheid climático, migrações ambientais, espécies, habitats e exploração de recursos, em cinco continentes.
A 33.ª edição do CineEco já tem data marcada. Acontecerá de 8 a 16 de outubro, em Seia. Ao longo do ano, o CineEco irá percorrer o país e ilhas com as habituais extensões e continuará a ter ressonância na comunidade, com exibições ao ar livre no próximo verão junto das populações e aldeias do concelho.

