20 anos de MOTELX / 20ª edição do MOTELX

20 anos de MOTELX

MotelX Notícias

20 anos só se fazem uma vez. Os primeiros filmes anunciados revelam J-Horror (“AnyMart”), um thriller psicológico com Monica Bellucci (“The Birthday Party”), há body horror francês (“Species”), terror sci-fi (“Mum, I’m Alien Pregnant” e “Our Effed Up World”) e muitas estrelas do mundo da música: Jason Williamson (dos Sleaford Mods em “Game”, que é escrito e produzido por Geoff Barrow dos Portishead) e o novo filme de RZA (Wu-Tang Clan): “One Spoon of Chocolate”, com produção executiva de Tarantino. Solveig Nordlund é a segunda galardoada com o Prémio Noémia Delgado para Mulheres Notáveis no Terror. Na Suite 13, o acid giallo de Sergio Martino. No Quarto Perdido, a obra enigmática de José de Sá Caetano. Uma nova secção, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, Lost in Europe, onde se redescobre o cinema de terror feito nos países da Cortina de Ferro. E ainda outra, em conjunto com o Goethe-Institut Portugal, intitulada: Falar sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém), que traz filmes de Herzog e Buttgereit.

O terror volta a bater à porta. E desta vez enverga o seu mais assustador fato. A muito especial 20.ª edição do MOTELX – Festival Internacional de Terror de Lisboa, que esta noite foi apresentada, decorre de 3 a 13 de Setembro — pela primeira vez durante 11 dias — no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa. Os 20 anos de MOTELX encontram-se já a ser celebrados, com várias datas de Warm-Up que até às vésperas do Festival preenchem a cidade. Aqui revelamos uma fatia considerável da próxima edição. A programação completa será anunciada em Agosto.

Depois de ter consagrado a produtora norte-americana Gale Anne Hurd, o Prémio Noémia Delgado para Mulheres Notáveis no Terror é, em 2026, atribuído à cineasta sueca, naturalizada portuguesa, Solveig Nordlund. O MOTELX distingue agora uma das mulheres pioneiras no cinema fantástico e de terror — e uma das figuras mais inovadoras da cinematografia portuguesa, cujo universo autoral é profundamente contaminado por H. P. Lovecraft e J. G. Ballard.

Anunciam-se desde já dez longas-metragens internacionais que aterram directamente no temível Serviço de Quarto, secção principal do MOTELX. “Fuck My Son!” (EUA), de Todd Rohal, uma comédia X-rated de mau gosto. “Game” (Reino Unido), de John Minton, com interpretação de Jason Williamson (Sleaford Mods) e produção e argumento de Geoff Barrow (Portishead). Com passagem pela Berlinale, “AnyMart” (Japão), de Yusuke Iwasaki, expõe o lado sombrio do mundo laboral japonês. Do Festival de Cannes chega-nos “Species” (Bélgica/França), um body horror de Marion Le Correller e “The Birthday Party” (Bélgica/França), de Léa Mysius, com Monica Bellucci na interpretação. A dupla Thunderlips (Jordan Mark Windsor e Sean Wallace) carrega no ventre “Mum, I’m Alien Pregnant” (Nova Zelândia), uma comédia sci-fi“The Furious” (Hong Kong), de Kenji Tanigaki, é uma imparável e sangrenta locomotiva de acção. Em “Our Effed Up World” (Austrália/Canadá), de Alice Maio Mackay, um grupo de amigos lida com uma invasão alienígena. “One Spoon of Chocolate” (EUA) é o quarto filme de RZA (Wu-Tang Clan), um revenge thriller com produção executiva de Quentin Tarantino. “Poultry Farm” (Irão), de Mohammadreza Ardalan, um órfão é apanhado numa rixa macabra entre dois proprietários rurais duvidosos.

Uma das grandes novidades desta edição é a secção Lost in Europe: O Terror por Detrás da Cortina de Ferro, um ciclo em parceria com a Cinemateca Portuguesa  que, à imagem do que propõe o Quarto Perdido em relação ao cinema português, pretende resgatar e redescobrir cinematografias europeias esquecidas. Neste caso, o foco incide sobre os países da chamada Cortina de Ferro. Os seis filmes selecionados para exibição são: “The Singing, Ringing Tree” (“Das Singende, Klingende Bäumchen”; República Democrática Alemã; 1957), de Francesco Stefani; “Werewolf” (“Libahunt”; URSS; 1968) de Leida Laius; “The Rat Saviour” (“Izbavitelj”; Jugoslávia; 1976), de Krsto Papic; “Ferat Vampir” (Checoslováquia; 1981) de Juraj Herz; “Possession” (França/República Federal da Alemanha; 1981), de Andrzej Żuławski; e “Strangler vs Strangler” (Jugoslávia; 1985) de Slobodan Šijan.

Passa a vida a ser atirada para debaixo do tapete, mas no cinema de terror a morte encontra alguém com quem conversar. É precisamente isso que propõe a secção especial Falar sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém), criada em parceria com o Goethe-Institut Portugal, uma reflexão sobre a única certeza da vida através de vários painéis e de três obras centrais do cinema de género germânico. “Nosferatu: O Vampiro da Noite” (1979), Werner Herzog, uma revisita ao clássico de Murnau. E ainda “Nekromantik” (1988) e “The Death King” (“Der Todesking”), de Jörg Buttgereit.

Em 2026, o Quarto Perdido debruça-se sobre José de Sá Caetano, realizador português nascido em Leiria em 1933 e que ao lado de cineastas como José Fonseca e Costa, Luís Galvão Teles e António de Macedo fez parte do grupo fundador da cooperativa Cinequanon. “As Ruínas no Interior” (1976) é a obra primordial de uma trilogia que viria a concluir com “Azul Azul” (1984) — pelo caminho, “Um S Marginal” (1983), numa tríade de filmes comunicantes, onde personagens, situações e ecos narrativos estabelecem relações ténues — e que representa o grosso da sua filmografia. José de Sá Caetano permanece, ainda hoje, como uma das figuras mais esquecidas do cinema português e cujo universo surrealista merece uma severa redescoberta.

Suite 13 — uma secção que segue a herança da história do cinema e os problemas que as suas transgressões podem colocar à actualidade — ergue na 20.ª edição do MOTELX, um programa (idealizado pelo programador convidado Carlos Alberto Carrilho) intitulado “Sergio Martino e Acid Giallo: Atmosferas que Turvam os Sentidos”, a partir da confluência da obra do cineasta com a linguagem do subgénero caracterizado por uma saturação cromática e sonora que promove o medo e o êxtase. Martino tem sido redescoberto recentemente através de vários restauros dos seus filmes em 4K e menções de Quentin Tarantino e Guillermo del Toro pela decisiva influência que teve nas suas carreiras. A programação desta secção será anunciada brevemente.

Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa, galardão de maior relevo do Festival, que atribui um prémio de 5.000€, terá dez títulos em competição: “amordemoura”, de Tiago “Ramon” Santos; “A Hora do Chico”, de João Severo e Rafael Sá Carneiro; “Final da Noite”, de Duarte Gandum e Henrique Gandum; “Tardo”, de Carlos Calika; “Consolatio”, de Pedro M. Afonso; “Estou Aqui”, de Ana Rita Martins; “Spirit Caller”, de Vítor Dutta; “Bruno, o Boneco”, de Diogo dos Santos Oliveira; “consumido”, de [carrozo]; “Royal”, de Hinata Almeida e Tomás Pascoal.

Quanto ao Prémio Méliès d’argent – Melhor Curta Europeia o destaque vai para, neste primeiro momento, as curtas portuguesas presentes na competição: “Sweet Hearts”, de Diogo Coutinho e Gonçalo Claro da Fonseca; “Codec: <3 Amanda <3”, de Rafaela Cardoso; “Calhau”, de Paulo Abreu; “A Onda”, de Ramón de los Santos; “Olhos, Olhos, Nariz, Boca”, de Sofia Santa-Rita; “Quietud”, de Gonçalo Almeida; “Cure My Misery”, de Kiril Savateev e “Katabasis”, de João Silva.

Em 2026, a Sala de Culto apresenta dois filmes que se interligam pela dimensão insólita com que se relacionam com a tradução audiovisual e que justificam o subtítulo: Lost in Translation. “Hen Dui Hen”, título original de um filme taiwanês de artes marciais de 1974, estreou em Portugal como “Kung Fu à Portuguesa” onde, ao contrário do que aconteceu noutras nações, foi exibido com o áudio original em mandarim mas com legendas escritas para o efeito por autores — Raúl Solnado e Pedro Bandeira-Freire — que desconheciam a língua e que, por isso mesmo, foram particularmente criativos. Já “A Teia de Gelo” é um título de 2012 realizado por Nicolau Breyner, a meio caminho entre o thriller de acção e o terror gótico. Numa clara intenção de internacionalizar o seu trabalho, o cineasta decidiu filmar duas versões integrais: em português e em inglês. O MOTELX apresenta então a raríssima versão inglesa de uma obra que conta com Diogo Morgado, Margarida Marinho e Paula Lobo Antunes no elenco.

SectionX — secção mais experimental e underground do MOTELX — traz para 2026 três realizadores cujos filmes dialogam através das dinâmicas do actual e subversivo poder institucional. “Chronovisor” (EUA), de Jack Auen e Kevin Walker, um academic noir que se centra numa máquina inventada pelo monge beneditino Pellegrino Ernetti para filmar o passado. Do antigo colaborador de David Lynch: “Variations on Violence” (EUA), de Zachary Aaron Nichols. E “Sunshine Express” (Irão), uma alegoria kafkiana em formato reality show.

Lobo Mau não podia faltar à festa dos 20 anos do MOTELX. Ainda antes do Festival, vai estar no Cinema ao Ar Livre integrado no Warm-Up de 2026, que no dia 14 de Agosto invade o Jardim das Amoreiras. Este ano regressa o já tradicional Peddy Paper no Cinema São Jorge, o Atelier Sensorial ALMA, as sessões de Sustos Curtos para várias faixas etárias e há ainda uma longa-metragem em estreia nacional. Outra das grandes novidades deste ano é o workshop de fotografia promovido por Bernardo Gramaxo em conjunto com a Associação Passa Sabi onde 8 jovens exploraram o Bairro do Rego com uma Instax na mão.

Também de regresso está o Prémio MOTELX – Melhor Guião de Terror Português que em 2025 premiou “Quem Mata no Camarido? (Seis Betos e Meia)”, de António Xavier Rodrigues. A quarta edição da distinção volta a atribuir um prémio monetário de 2.000€ e conta com 7 argumentos de longas-metragens ainda não produzidas: “A Ostra”, de Pedro Garrido; “Hóspede”, de Miguel Monteiro Rico; “O Silêncio que Fica”, de Ana Lamas; “Privação (Ou Coisas Ditas de Joelhos)”, de António Xavier Rodrigues; “Púcaro Negro”, Maria Leonor Toscano e Raquel Cabaço Pereira; “Rosa dos Ventos”, de Alexandre Guedes de Sousa; “Todas as Respostas”, de Stephane F. Oliveira.

E como sempre, o MOTELX não se faz apenas de cinema. No campo dos Eventos, há novidades por revelar. “Hotel Pastiche” é uma exposição de João Telmo (Nova Companhia) que resgata o imaginário do hotel enquanto cenário de culto para o cinema e propõe a reinvenção de 10 cenas de filmes clássicos de terror (“The Shining”, “Psycho”, entre outros) decorridas num hotel — o resultado é para ver durante os 11 dias de Festival num local a anunciar em breve. O Monster Day é outra das boas-novas destes 20 anos de MOTELX, um dia (5 de Setembro) dedicado ao monstro enquanto figura representante do terror que começa com um workshop de monstros para os mais novos na secção Lobo Mau, mais tarde um Concurso de Monstros, com um prémio monetário de 500€ — onde um júri dedicado vai avaliar o monster design — e para acabar em grande uma festa/meet-up de monstros no Lounge do MOTELX.

Warm-Up estende-se este ano pelos meses de Julho e Agosto e abre o apetite para a celebração destes 20 anos de terror. No dia 31 de Julho, à meia-noite no Cinema Nimas, “Saccharine” (Austrália; Natalie Erika James) aterra em mais uma sessão do Nimas Fora de Horas. No dia 1 de Agosto temos Sessão de Curtas + DJ Set na Casa do Comum, às 21h. No dia 14 de Agosto, é dia de Cinema ao Ar Livre, uma parceria entre o MOTELX e a Junta de Freguesia de Santo António: às 18h Sessão Lobo Mau e às 21h “The Guest” (EUA, 2014; Adam Wingard), tudo no Jardim das Amoreiras. No dia 27 de Agosto, já colado ao arranque do Festival, o MOTELX une forças com o Black Cat Cinema — um projecto de cinema ao ar livre que instalado telas em lugares inusitados de Lisboa — e exibe o clássico “The Others” (Espanha/Estados Unidos/França, 2001; Alejandro Amenábar) no Palácio do Grilo, às 21h.

Mais novidades sobre a restante programação da 20.ª edição do MOTELX em breve.

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