A Cinemateca Portuguesa volta a juntar-se ao MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa desta vez numa nova secção do festival, Lost in Europe, que explora o cinema de terror proveniente de países europeus, particularmente títulos que possam ter ficado mais esquecidos nos cânones do género. Neste primeiro ano, o ciclo debruça-se sobre o cinema de terror produzido em países da Europa de Leste sob a influência da União Soviética durante a Guerra Fria – a “Cortina de Ferro”, como foi apelidada por Winston Churchill em 1946.
Num gesto de arqueologia, redescoberta e celebração, Lost in Europe: O Terror por Detrás da Cortina de Ferro propõe um olhar sobre a maneira como se desenvolveu este género neste contexto político e cultural particular, investigando as lendas, o folclore e as narrativas que dão origem a filmes que (re)tratam o fantástico, o sobrenatural, o onírico e o sinistro.
O programa reúne seis títulos que representam obras distintas do horror europeu e que incluem uma viagem pelo feérico fantástico de DAS SINGENDE, KLINGENDE BÄUMCHEN (“A Árvore que Canta e Toca”, 1957, República Democrática Alemã), de Francesco Stefani; a reinterpretação do mito do lobisomem como figura de exclusão social em LIBAHUNT (“Lobisomem”, 1968, URSS), de Leida Laius; o horror alegórico político da sociedade secreta de ratos antropomórficos de IZBAVITELJ (A NOITE DA METAMORFOSE, 1976, Jugoslávia), de Krsto Papic; um filme idiossincrático que transforma a figura clássica do vampiro em terror tecnológico sobre rodas em UPÍR Z FERATU (“O Vampiro de Ferat”, 1981, Checoslováquia), de Juraj Herz; o clássico do horror psicológico (e corporal) que transforma um drama conjugal – entre Isabelle Adjani e o recentemente falecido Sam Neill, duas performances potentes – em surrealismo perverso em POSSESSION (1981, França, República Federal da Alemanha), de Andrzej Żuławski; e a sátira macabra de DAVITELJ PROTIV DAVITELJA (“Estrangulador vs. Estrangulador”, 1985, Jugoslávia), de Slobodan Šijan.
