Depois da apresentação na Cinemateca Portuguesa, no passado mês de maio, do ciclo Pioneiras do Cinema Português, é agora lançada uma publicação homónima dedicada às mulheres que fizeram cinema em Portugal desde o período do cinema mudo até meados dos anos 1960.
O ciclo, que iluminou uma zona de sombra da história do cinema português, questionou o que é ser pioneira e o que consideraríamos como cinema português. Assim, expandiu estas noções para se focar em mais de uma dezena de mulheres que fizeram filmes em Portugal em diferentes valências (realizadoras, produtoras, argumentistas, montadoras, anotadoras ou assistentes de realização), como Virgínia de Castro e Almeida, Isaura Pavia de Magalhães Lisboa, Amélia Borges Rodrigues, Bárbara Virgínia, Maria Emília Castelo Branco, Regina Fróis, Margot Dias, Raquel Soeiro de Brito, Maria Helena Noronha Feyo, Vera Wang Franco Nogueira, Maria Dulce ou Maria Luísa Bivar.
Estas mulheres fizeram, por sua vez, filmes de uma variedade copiosa: épicos românticos, documentários paisagísticos, filmes infantojuvenis amadores, dramas góticos, filmes científicos, travelogues, cinema de propaganda, diários e filmes-poema, entre outros.
O livro está dividido em três partes, sendo a primeira consagrada ao discurso destas cineastas (com entrevistas e ensaios das próprias). A segunda é composta por nove ensaios inéditos (de José Machado, Sofia Sampaio, Bárbara Murakami de Albuquerque, Paulo Cunha, Manuela Penafria, Maria do Carmo Piçarra e Ricardo Vieira Lisboa). Finalmente, a terceira parte é dedicada aos testemunhos de familiares e de realizadores contemporâneos que retrataram algumas destas pioneiras (Ana Sofia Pereira, Luísa Sequeira, Catarina Alves Costa, Gonçalo Tocha, Nádia Henriques, Ricardo Leite e Cláudia Rita Oliveira).
O lançamento decorre no dia 28 de setembro, pelas 18h, na Livraria Linha de Sombra, contando com a presença de Ricardo Vieira Lisboa (programador do ciclo e coordenador da publicação), a realizadora Raquel Freire e a investigadora Hilary Owen. É depois sucedido pela exibição de MÄDCHEN IN UNIFORM (Raparigas de Uniforme) de Leontine Sagan, um dos mais famosos filmes do começo do cinema sonoro alemão que representa, em 1931, o amor entre duas mulheres. Um marco histórico a apresentar em cópia de 35mm preservada pela Cinemateca.

