Operação rentrée na Cinemateca - Antevisão da programação de setembro a dezembro

Operação rentrée na Cinemateca

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A rentrée da Cinemateca Portuguesa abre, e prolonga-se, com uma tónica em nomes notáveis do cinema internacional. De realizadores (Martin Scorsese, Noémia Delgado, Margaret Tait, Lino Brocka, Rita Azevedo Gomes, Frank Borzage, Hiroshi Shimizu) a atrizes (Brigitte Bardot) a produtores de cinema (Paulo Branco), as figuras destacadas e celebradas possuem, em comum, um papel marcante esculpido pelas suas obras.

Em setembro, a Cinemateca prepara-se para dar início a um dos grandes ciclos de 2026, no que provavelmente será um dos maiores jamais realizados na Barata Salgueiro e que se vai estender durante os próximos anos. Falamos de um ciclo dedicado a um dos nomes mais impactantes do cinema português das últimas décadas: Paulo Branco, figura indelével do cinema português. Este percurso, que ultrapassa as fronteiras do cinema português (e mesmo da produção cinematográfica), vai ser traçado num ambicioso programa que atravessa todas as décadas da sua atividade enquanto produtor. Paulo Branco estará presente em vários momentos ao longo do ciclo, para falar com os espectadores e alguns convidados – como a atriz e realizadora francesa Fanny Ardant, que marcará presença neste mês de setembro – sobre os filmes desta retrospetiva, que inaugura no dia 11 de setembro com a exibição de NON OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR, de Manoel de Oliveira.

Continuando a falar em nomes incontornáveis da História do cinema, em setembro os ecrãs da Cinemateca vão receber um dos cineastas mais importantes da geração responsável pela Nova Hollywood dos anos 1970: Martin Scorsese. Entre crime e religião, dois grandes polos que puxam pelo realizador, é tempo de voltar a olhar (“Scorsese por Scorsese”, em abril de 1991, foi um ciclo da Cinemateca que abarcava toda a sua produção até ao então recentíssimo GOODFELLAS) para grande parte da sua extensa carreira, incluindo filmes que não tiveram ainda a possibilidade de serem vistos no grande ecrã em solo nacional.

Ainda em setembro há a destacar as parcerias já anunciadas em colaboração com os festivais Motelx (Lost in Europe: O Terror por Detrás da Cortina de Ferro), Queer Lisboa (uma antologia de filmes queer a propósito das comemorações da 30ª edição do festival) e Operafest (novo mergulho em obras onde o cinema e a ópera se cruzam na secção Cine-Ópera).

Em outubro, as protagonistas são três grandes figuras do cinema europeu e nacional. Começamos com uma retrospetiva dedicada a Brigitte Bardot, atriz conhecida como um dos maiores ícones da Nouvelle Vague e dos ecrãs franceses nas décadas de 1950 e 1960. Depois disso, a sua persona pública transforma-se, dando lugar a uma mulher de causas aguerridas, já longe das telas. Um ano após a sua morte, voltaremos a olhar para Bardot como se fosse a primeira vez.

Nesse mesmo mês, continuamos a apresentar a obra de mulheres cujo trabalho teima em ficar afastado do cânone cinematográfico. É o caso da portuguesa Noémia Delgado, autora do singular MÁSCARAS, filme que a deu a conhecer como autora maior de um cinema etnográfico e poético, a par de uma obra em grande parte feita para a televisão, em que se evidencia a série Contos Fantásticos, realizando a Cinemateca agora uma retrospetiva extremamente completa, depois da exposição que lhe foi dedicada em 2024. Ligada à geração do Cinema Novo Português, a sua prática estendeu-se também às artes plásticas e à escrita. O seu trabalho é marcado por muitos escritores, que adapta ou a cuja obra dedica parte dos seus filmes, e este programa resultará também na publicação de uma edição em seu torno.

Outubro dá ainda a conhecer Lino Brocka, que será o foco de uma ambiciosa retrospetiva organizada com o Doclisboa e em diálogo com Khavn De La Cruz, artista filipino multifacetado e especialista na obra de Brocka. Uma obra bastante desconhecida e praticamente inédita em Portugal, esta será uma das mostras mais abrangentes do cinema de Brocka a ser realizada fora do seu país natal, onde é considerado uma das figuras seminais do panorama cinematográfico local, que se expandirá em mais uma edição dos “Cadernos da Cinemateca” que acompanha o ciclo.

O mês termina com a escocesa Margaret Tait, realizadora que será alvo de uma das maiores retrospetivas jamais dedicadas à sua filmografia, onde a relação entre o cinema e a poesia são imagem de marca. Uma mostra de filmes realizados entre as décadas de 1950 e 1990 e com filmes sobre ela assinados por nomes como Luke Fowler, Ute Aurand e Peter Todd. Este último, grande especialista na obra de Tait, estará em Lisboa para acompanhar o ciclo.

Com a chegada de novembro, será a vez de Rita Azevedo Gomes ocupar a cadeira de realizadora convidada da Cinemateca, no regresso da rubrica que tem proposto aos mais variados cineastas apresentar os seus filmes emparelhados com títulos por si escolhidos, criando um diálogo cinéfilo. O programa resulta da colaboração com a realizadora, contará com a vinda a Lisboa de Pierre Léon e espera muitos dos seus cúmplices para acompanhar as sessões. Será ainda publicado um livro-catálogo.

Também em novembro haverá outra grande retrospetiva de um dos nomes maiores do cinema clássico norte-americano: Frank Borzage. Mestre do melodrama, com um percurso iniciado ainda no tempo dos pioneiros e que termina no início dos anos 1960, Borzage regressa à Cinemateca para uma aguardada retrospetiva que recuperará muitos dos títulos da bastante abrangente retrospetiva que lhe foi dedicada no início da década de 1990. Dada a magnitude da obra do realizador, o ciclo prossegue até janeiro de 2027, e contará com a publicação de uma edição em seu torno.

Em dezembro, a Cinemateca arranca com a primeira parte do que será certamente um dos momentos altíssimos da programação de 2026-2027: a retrospetiva Hiroshi Shimizu. Depois de Ozu, Mizoguchi, Kurosawa e Naruse, é chegada a vez de mostrar a obra de um dos mestres do cinema nipónico, com um programa extraordinariamente abrangente (será a segunda maior mostra de sempre fora do Japão depois da programada pela Cinémathèque française e com filmes que não foram aí exibidos) – contando com a colaboração do National Film Archive of Japan. A decorrer em dezembro de 2026 (com segundas passagens planeadas para janeiro seguinte) e março de 2027, o programa contará com convidados especialistas, como será o caso do jornalista e programador Clément Rauger, que já colaborou com a Cinémathèque française na organização de retrospetivas de realizadores como Kenji Misumi, Tai Katō e, claro, Hiroshi Shimizu. Esta promete ser a grande descoberta do final de 2026 e início de 2027. Será também publicado um livro-catálogo.

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