Lia Goulart é a vencedora da 4.ª Open Call dos Novos Argumentos, o concurso de guiões de curta-metragem promovido pelo short/age – Shortfilms for a New Age, em Viseu, com «Candeia». O guião foi escolhido por um júri composto por Beatriz Catarino, Joana Caiano, João Canelo e Luís Campos, entre 188 candidaturas, quase o dobro das 103 recebidas na edição anterior, e vale à autora um prémio de mil euros.
«Candeia» passa-se na ilha do Pico: numa noite de lua quase cheia, um tio e um sobrinho espalham chocolates brancos pelas pedras negras do porto do Calhau, para atrair aquilo que a avó dizia gostar deles. Lia Goulart nasceu em São Miguel, em 1983, e o seu percurso cruza design, teatro, performance e audiovisual: formou-se em Design Gráfico no IADE, estudou teatro na École Philippe Gaulier, em França, e estreou-se no cinema em 2007 com «A Lenda da Massa Sovada», Prémio do Público no Faial Films Fest. Depois de anos de trabalho como atriz, regressou à escrita de argumento; o seu projeto de longa-metragem «Ilda» foi distinguido este ano com um apoio à escrita no âmbito do PDL26.
Além da vencedora, o júri selecionou mais sete guiões, que serão publicados no mesmo volume: «Porto Sem Lei», de Maurício Borges; «Consequencial», de Rodrigo Carmona e Tiago Brito; «O cheiro dos livros», de Beatriz Cuña Rita; «T-T-3», de Luís Miguel Rocha; «O Sino», de Eduarda Laia e Simone Pereira; «Nacional 1», de Janine Gonçalves; e «Fera», de Diogo Castro. Os autores vêm de percursos muito diferentes: há estudantes de cinema, realizadores com curtas premiadas, atores, argumentistas de televisão com trabalho distinguido nos Emmy Internacionais e quem escreva nas horas livres, longe da profissão.
O concurso distingue-se por dispensar o filme. Candidata-se o texto, e é o texto que é premiado e publicado, sem que tenha de estar rodado ou sequer prometido a uma produção. Tanto quanto se conhece, é o único prémio nacional de argumento nestas condições. O júri lê as candidaturas sem conhecer a identidade de quem as assina.
«Recebemos quase o dobro dos guiões de outros anos, quase 200, e isso diz muito sobre a quantidade de gente que está a escrever cinema em Portugal sem ter onde mostrar o que escreve. O nosso trabalho é dar a esses textos um lugar. Este ano, oito encontraram-no no livro; muitos outros mereciam.», diz Luís Belo.
Os oito guiões vão ser publicados em shortfilmsforanewage.com a partir da próxima semana, com ilustrações originais de Kruella D’Enfer, e depois reunidos no livro do 7.º volume, com lançamento previsto para o início de 2027. Também no início do ano, «Candeia» será lido e discutido numa sessão aberta ao público no Ponto Cultural da Rua Direita, em Viseu, com a presença da autora.
Os Novos Argumentos nasceram em 2020 e são um dos quatro pilares do short/age, a par das sessões de cinema com os realizadores presentes, do podcast Conversa Curta e de um diretório de curtas-metragens portuguesas. A coleção conta com 49 argumentos publicados, a que se somam agora estes oito. Nas três primeiras edições os autores foram convidados; desde 2023 a seleção faz-se por chamada aberta. Três dos jurados deste ano, Beatriz Catarino, Joana Caiano e João Canelo, venceram edições anteriores do concurso.
Os resultados completos estão disponíveis em shortfilmsforanewage.com/open-
