O tempo carrega consigo memórias que nos são transmitidas por sábios olhares. Olhares que nos contam recordações de outros tempos, não muito longínquos. Que nos fazem comparar vivências, através das histórias contadas pelos nossos avós, sendo que a consciência de que vivemos uma vida de privilégio emana rapidamente.
Apreço, uma obra criada por um jovem natural de Vila Verde, João Oliveira, que tem como forte intenção a promoção cultural desta Terra do Norte de Portugal, onde nasceu e pela qual guarda um especial carinho. Com esta obra, o realizador tem como propósito apoiar o talento local e incentivar a criação de projetos artísticos, e desta forma, valorizar de uma forma mais proeminente a cultura do nosso País.
Falámos com o jovem realizador sobre o seu Apreço, e como este filme será concretizado:
CEP: Porque é tão importante apoiar este projecto?
João Oliveira: Como em qualquer projeto cinematográfico, os apoios são cruciais para a execução do filme. Como se costuma dizer, não se faz omelete sem ovos. Neste caso não se faz um filme sem termos os cenários adaptados às necessidades das cenas, os figurinos, o equipamento técnico, os atores, toda a equipa técnica, sim porque um filme não é só feito pelos atores e realizadores, como muita gente imagina. Para esta produção iremos precisar de uma equipa técnica de pelo menos 15 pessoas, já a reduzir muito os custos. E claro, todas estas pequenas coisas tem custos. Vamos precisar da equipa a trabalhar a full-time, durante várias semanas. Eles têm deslocações, ou teremos que os alojar mais perto dos locais de rodagens. Além da alimentação que será agilizada por nós. Nós contamos trabalhar maioritariamente com técnicos e artistas do distrito de Braga, não só para reduzir custos, mas também para mostrar que há pessoas incríveis que não vivem na capital.
CEP: O que é que este filme pode trazer ao cinema português, sendo este filmado em Braga?
João Oliveira: E com isto respondo já um pouco também a questão do que gostávamos que este filme traga ao cinema Português. Que na realidade são várias coisas, uma delas já referida, que é mostrar que no norte também há bons técnicos e bons artistas, além de excelentes locations. Só precisamos que o cinema seja descentralizado. Além disso gostávamos de envolver mais a sociedade no cinema, de forma a que o cidadão comum tenha mais interesse em ver um filme Português. Em Portugal, a população é muito saudadosa, nostálgica com o passado, e há ainda muitas histórias que não foram contadas, esta será uma mistura de várias vivências dos meus antepassados, de pessoas que cresceram numa outra época, que eu nunca irei viver, mas que fascino só de imaginar. Sinto que qualquer pessoa vai identificar-se com alguma parte do filme. O porquê de ser em Braga, primeiro porque sou natural de Vila Verde, e esta história tinha mesmo que ser filmada cá. Existem locations que conheço desde miúdo e que sempre vi com muito agrado.
CEP: Quando serão as filmagens?
João Oliveira: Ainda falta muito até às rodagens, mas idealmente vamos filmar entre Maio e Junho, e contamos passar pelo menos um mês inteiro a filmar de manhã à noite. Para não falar do trabalho que teremos antes e depois das filmagens.
Este filme, remete-nos a um romance dos anos 80 , vivido numa aldeia a norte, baseado em vivências de tempos duros. Através desta criação cinematográfica sentiremos apreço e visualizaremos a realidade vivida pelas pessoas da aldeia tal como as suas tradições. Tradições essas que se foram desvanecendo com o tempo, mas que continuam vivas na memória de todos aqueles que tiveram a oportunidade de as experienciar.
Focado nas tradições e nas vivências desta aldeia de Vila Verde em 1980, este filme apela a divulgação cultural e territorial. Promovendo, desta forma sublime, a cultura local, bem como dando a conhecer o lenço dos namorados, os trajes e os costumes desta bonita terra. Em suma, todo o filme será rodado em Vila Verde e no distrito de Braga, tendo como objetivo a sua estreia nestas regiões. Posteriormente, a exibição será concretizada em cinemas e salas de exibição.
Para apoiares este projecto podes aceder ao seguinte link e contribuir: ppl.pt/apreco
Sinopse:
Em tempos de Guerra Colonial Portuguesa, ainda muito jovem, Carlos aventura-se, sozinho, rumo ao Porto, em busca de perseguir os seus estudos, deixando os seus pais na aldeia, enquanto o seu irmão, Luís, é enviado para combater na Guiné. Numa época marcada pelo tumulto da dor, por diversas perdas e traumas, que foram incutidos, devido às diferentes circunstâncias, os desafios são constantes. Assim, Carlos é instigado, pela ironia da vida, e sente a necessidade de regressar à sua terra natal. O decurso do tempo, impulsiona-o a redefinir as suas prioridades. Desta forma, ele presta um apoio incondicional à sua família, deixando os seus sonhos para trás. Perdido e sem rumo, entre a água que descia das montanhas e uma inesperada inocência, o destino da sua existência cruzou-se com uma fonte de metamorfose. Todavia, nem tudo eram rosas.
