Que cinema pode mostrar “sustentabilidade”? Em que imagens encontramos “ecologia”? Muito antes do discurso “verde” ter entrado nas narrativas sociais visíveis, já os realizadores portugueses olhavam o mundo rural na sua proposta de simplicidade, recomeço e ligação à terra.
Para arrancar o ciclo, o Alvalade Cineclube exibe Volta à Terra de João Pedro Plácido. Segundo um argumento seu em parceria com Laurence Ferreira Barbosa, um filme que homenageia a aldeia dos avós do realizador e onde se celebra aquilo que considera ser “a simbiose do Homem com a Natureza”.
Portugal, um Dia de Cada Vez é assinado por João Canijo e Anabela Moreira (2015), que realizaram uma visita aos lugares mais remotos do país. Uma viagem que começa no extremo Norte de Portugal e que, por terras de Trás-os-Montes e do Alto Douro, visita uma dúzia de aldeias e lugares. As casas, os cafés, as ruas e as pessoas que ainda as habitam. É o retrato do dia-a-dia de algumas dessas pessoas, cada vez menos, cada vez mais idosas
Rodado durante a pandemia, Diários de Otsoga simula um confinamento em grupo numa quinta junto ao mar, sob o olhar de Miguel Gomes e Maureen Fazendeiro. Estreado mundialmente na Quinzena dos Realizadores em Cannes, conta a história de Crista, Carloto e João. Três amigos que, em tempos de pandemia, decidem construir juntos um borboletário. Durante meses, partilham a casa, as tarefas e as próprias vidas.
Em Bostofrio, o realizador Paulo Carneiro volta à sua terra, Trás-os-Montes, à procura de um personagem misterioso, o avô que nunca chegou a conhecer através das memórias dos habitantes da aldeia de Bostofrio. O filme é composto por uma série de conversas, tão íntimas quanto divertidas, nas quais é o próprio realizador que se implica na ação e questiona os habitantes (muitos deles, seus familiares) sobre quem era, e como era, o seu avô.
Primeiro e único filme de Manuela Serra, O Movimento das Coisas é um “documentário poético”, como descreve a Cinemateca Portuguesa e “um dos filmes mais curiosos que nas décadas de setenta e oitenta abordaram o universo rural do norte português”. É tempo de descobrir este filme, que aguardou 36 anos até ter a sua estreia, sobre o quotidiano da comunidade rural de Lanheses, no concelho de Viana do Castelo.
No final de 1999, Joaquim Pinto e Nuno Leonel compraram dois bilhetes para comemorarem a passagem de ano em São Miguel. Alugaram uma casa perto de Rabo de Peixe, onde têm um amigo, o Artur (pescador), pai de Diana, a jovem que se casou com Pedro, figura central deste documentário. Filmado entre 1999 e 2002, Rabo de Peixe pretende fixar a forma como o trabalho pode moldar os corpos e o carácter dos homens.
Numa viagem pelas fronteiras Portuguesas, Campo de Flamingos Sem Flamingos é um documentário que resulta de uma viagem de caravana feita entre Setembro e Dezembro de 2011. Sem programa definido, o fotógrafo e cineasta André Príncipe, o director de fotografia Takashi Sugimoto e o operador de som Manuel Sá percorreram Portugal numa viagem pelas fronteiras continentais, pontuada por encontros com pessoas e animais, assim como um levantamento da paisagem natural e construída.
Por fim, apresentamos Dispersos Pelo Centro, de António Aleixo. Tiago Pereira, de “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” convida o geógrafo e autor Álvaro Domingues para uma viagem pelas Terras da Chanfana. Surge então uma questão pertinente e maior que eles próprios ou a paisagem na qual figuram. Um documentário humanista que deambula entre as pessoas e o território.
As sessões serão acompanhadas com conversas e debates, com convidados a anunciar brevemente.
Programa:
👉 28 ABR – VOLTA À TERRA (João Pedro Plácido, Doc. 2014)
👉 05 MAI – PORTUGAL, UM DIA DE CADA VEZ (João Canijo e Anabela Moreira, Doc. 2015)
👉 12 MAI – DIÁRIOS DE OTSOGA (Maureen Fazendeiro e Miguel Gomes, Doc, Fic. 2021)
👉 19 MAI – BOSTOFRIO (Paulo Carneiro, Doc., 2018)
👉 26 MAI – O MOVIMENTO DAS COISAS (Manuela Serra, Doc.1986)
👉 2 JUN – RABO DE PEIXE (Joaquim Pinto e Nuno Leonel, Doc 2003)
👉 9 JUN – CAMPO DE FLAMINGOS SEM FLAMINGOS (André Príncipe, Doc. 2013)
👉 16 JUN – DISPERSOS PELO CENTRO (António Aleixo, Doc. 2021)
PODCAST BRANCA DE NEVE
O podcast Branca de Neve está de volta e desta vez a convidada é Dörte Schneider, Cinema Green Consultant. Pedimos-lhe para explicar o impacto ambiental da produção, distribuição e exibição cinematográfica, o que podemos fazer na prática, e como tornar a sustentabilidade mais consciente. E falámos dos filmes que fazem parte do ciclo Voltar à Terra.
