Imagem/still do filme "Lindo"

“Lindo” de Margarida Gramaxo estreia a 10 de julho

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Lindo é um olhar íntimo e humano sobre uma economia frágil, uma natureza em risco e um futuro que depende do diálogo entre tradição e mudança. Na Ilha do Príncipe, mudar é uma questão de sobrevivência.

Durante mais de 20 anos, Lindo caçou tartarugas marinhas na Ilha do Príncipe. Depois de um encontro com uma tartaruga inesperadamente dócil, decidiu mudar de vida para começar a proteger o animal contra outros predadores. Agora mergulha no seu passado para procurar as pistas que lançam o debate sobre o futuro da ilha e que passam por uma reflexão sobre o difícil equilíbrio entre o Homem e a Natureza.

Margarida Gramaxo encontrou “uma beleza incrível e um potencial humano muito grande”, no seio de uma comunidade que se defrontava com alterações, e encontrou também Lindo, que viria a tornar-se o protagonista. A amizade com Lindo acompanha “histórias interessantes de mudança”, a começar pela do protagonista, que “tinha sido caçador de tartarugas” e agora trabalhava na preservação destes animais ameaçados e das praias, num esforço ecológico impulsionado pelo investimento estrangeiro. “Criou-se legislação e programas que empregavam antigos caçadores para proteger as praias. O momento enquanto caçador de tartarugas pertencia ao passado. O que fui fazer com ele foi revisitar esse passado, para depois discutir as mudanças na ilha no presente”, revela Gramaxo.

Este homem, pastor numa igreja e com um percurso que exemplifica as mudanças na ilha, torna-se símbolo da narrativa do filme que aborda uma “economia muito frágil, mais permeável a influências exteriores”, e uma comunidade que engajou com o conhecimento trazido de fora e abraçou o projeto. Assim, acompanhou “todo um processo de educação e consciencialização que envolveu governo, biólogos e investidores estrangeiros”, e que também “gera muitos conflitos”, uma vez que “esta proteção acabou com o sustento de muita gente”.

Esse “conflito interessante” foi o motor do filme, assim como a possibilidade de olhar para Príncipe e ver o mundo, como olhar Lindo e ver a ilha. Margarida Gramaxo em entrevista à Lusa.

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