Para Naquele Dia em Lisboa, Daniel Blaufuks resgatou películas do ANIM (Arquivo Nacional das Imagens em Movimento) gravadas em 1940 aquando da chegada a Portugal de milhares de refugiados europeus, maioritariamente judeus, na esperança de escapar ao terror nazi que se espalhava pelo continente.
Em 2023, Daniel Blaufuks realizou uma curta-metragem a partir destas imagens; em 2025, a convite do Cinex, com uma nova e expandida versão, voltou a desacelerar o tempo deste dia incógnito de 1940, convidando-nos a vivê-lo e a sentir o seu ritmo. É a partir deste filme que o músico Matthew Herbert se inspira para uma banda sonora original, musicando ruas e pessoas que anonimamente serviram de guias fantasmagóricos para a liberdade e que vamos conhecer no cineconcerto Naquele Dia em Lisboa – Versão Longa, 2025.
Além do ano e autor — o diretor de fotografia e vencedor de um Oscar, Eugen Schüfftan — pouco se sabe sobre estas imagens descartadas, partilhadas agora com o público através desta fotografia expandida no tempo pela mão de Daniel Blaufuks, também descendente de judeus refugiados da Alemanha e da Polónia. A narração ao longo do filme é de Bruno Ganz, ator em filmes como As Asas do Desejo ou A Queda – Hitler e o Fim do Terceiro Reich, que conta a passagem de refugiados pela capital portuguesa.
Este cineconcerto tem a curadoria de Eduardo Brito e João Paulo Macedo, no âmbito do Cinex, que integra o programa da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura.
Daniel Blaufuks é natural de Lisboa, tendo-se mudado para a Alemanha em adolescente, lugar de onde regressou em 1983. Estudou fotografia e começou a sua carreira no jornal BLITZ, passando posteriormente pelo jornal O Independente ou pela revista Marie Claire, entre outros. Em 1989, venceu o Prémio AIP/KODAK, e em 1966 esteve entre os oito finalistas do European Photography Award.
A relação entre o público e o privado, a memória individual e a memória coletiva têm sido temáticas recorrentes no seu trabalho. Daniel Blaufuks utiliza principalmente a fotografia e o vídeo, materializando-se através de livros, instalações e filmes. Algumas das suas exposições foram apresentadas em instituições como o Centro Arte Moderna (Lisboa), Palazzo delle Papesse (Siena), Centro Cultural de Belém (Lisboa), Elga Wimmer Gallery (Nova Iorque), ARCO e Photoespaña (Madrid).
Matthew Herbert é compositor, artista, produtor e escritor britânico com mais de três dezenas de álbuns editados, incluindo o muito celebrado Bodily Functions, a banda sonora do vencedor do Óscar para Melhor Filme Estrangeiro em 2018 – A Fantastic Woman -, bem como música para teatro, musicais, séries televisivas e videojogos.
Remisturou trabalhos de vários artistas icónicos como Quincy Jones, Ennio Morricone ou Serge Gainsbourg, e é colaborador de longa data de Björk.
Os bilhetes para o concerto de Lisboa custam entre 5€ e 15€ (ver descontos) e estão à venda na Culturgest e na Ticketline.
