Filipa Martins concluiu a rodagem de 'No Meu Fim Está o Meu Começo'

Filipa Martins concluiu a rodagem de ‘No Meu Fim Está o Meu Começo’

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Filipa Martins concluiu a rodagem de No Meu Fim Está o Meu Começo, uma adaptação parcial do seu romance homónimo, publicado pela Quetzal em abril de 2026, assumindo o argumento e a realização do filme.

Passada nos anos 60, a história acompanha Isabel, uma menina de sete anos retirada de um bairro pobre nos arredores de Lisboa para viver com uma família abastada. Entre o encantamento com um mundo desconhecido e o medo das suas regras, a criança descobre que a promessa de uma vida melhor implica ocupar o lugar de outra menina e aprender a corresponder às expectativas dos adultos.

«Escolhi um episódio que tinha o seu próprio começo e o seu próprio fim, capaz de existir autonomamente e de dialogar com o título do livro. É a história do rapto de uma criança de um bairro pobre para a casa de uma família rica. Parte de uma experiência vivida pela minha mãe e de uma realidade que existia e era normalizada: levar uma criança podia ser entendido como um acto de caridade, como se a pobreza retirasse às famílias o direito aos seus filhos. Quis acompanhar essa experiência pelos olhos da menina, incluindo o fascínio, a confusão e a sua capacidade de resistir», explica Filipa Martins.

A escritora transporta, assim, para o cinema uma história que aborda as relações entre pobreza, poder e assistência durante o Estado Novo. Na época, a legislação tutelar previa a colocação de crianças fora da família e incluía a avaliação das condições económicas, sociais e morais dos seus agregados. A narrativa confronta a ideia de proteção com a violência de uma separação e com a desigualdade entre quem podia decidir e quem dificilmente conseguia fazer-se ouvir.

A adaptação centra-se numa fase da infância de Isabel, uma das personagens principais do romance. A liberdade das brincadeiras no bairro dá lugar à aprendizagem dos gestos, das palavras e dos silêncios exigidos na nova casa. O quotidiano doméstico revela gradualmente as tensões de uma família marcada pelo luto, pela autoridade e pela violência.

Para Filipa Martins, acumular a autoria da obra original, a escrita do argumento e a realização exigiu uma negociação permanente entre linguagens. «Conhecer intimamente a história também pode dificultar a adaptação: sabemos coisas sobre as personagens que uma imagem ainda não contou. Como argumentista, tive de escolher o que cabia neste filme e encontrar acções para aquilo que o romance constrói através da linguagem e do pensamento. Como realizadora, tive de voltar a olhar para tudo, agora através dos actores, dos espaços, da luz e do som. O desafio foi ganhar distância em relação ao que tinha escrito e dar espaço ao que a equipa e as interpretações trouxeram. A história foi-se transformando nesse trabalho coletivo.»

Laura Vieira interpreta Isabel, acompanhada por Madalena Guanilho, no papel de Teresa, e Santiago André, como Vasco. O elenco inclui ainda Mafalda Jara, como Laurinda; Teresa Tavares, como a Senhora; Marco D’Almeida, como o Senhor; Teresa Madruga, como Maria; Miguel Monteiro, como o Doutor; e Rui Morisson, como o Oficial.

A equipa conta com Hugo Azevedo na direcção de fotografia, Paula Szabo na direcção de arte, Patrícia Dória nos figurinos e Pedro Anacleto na direcção de som. A primeira assistência de realização é de Madalena Fragoso, a direção de produção de Filipe Ferreira e a produção de Ana Pinhão Moura.

Com a rodagem concluída, No Meu Fim Está o Meu Começo encontra-se agora em fase de montagem, dando continuidade à passagem da obra literária de Filipa Martins para o Cinema. Produzido por Ana Pinhão Moura, através da APM, o projeto foi rodado em Lisboa e Rio Frio, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e Lisboa Film Commission.

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