É uma das maiores encenações do poder no século e, ainda assim, permanece um dos episódios menos conhecidos da nossa história recente. Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar, do realizador José Filipe Costa (Linha Vermelha, 2011 e Prazer, Camaradas! 2019, que também tiveram estreia comercial em Portugal), expõe o insólito período em que António de Oliveira Salazar, após uma queda e um AVC, continuou a acreditar que governava o país, já depois de ter sido substituído por Marcelo Caetano. Chega aos cinemas a 28 de maio.
Em Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar vemos como Salazar prossegue a sua rotina, recebendo ministros que já não eram ministros, e embaixadores que não eram embaixadores, num jogo de faz de conta, em que participavam a sua governanta Maria de Jesus e o próprio Presidente da República Américo Thomaz.
O filme estreou mundialmente no Festival de Roterdão, onde integrou a competição Big Screen, e foi distinguido com os prémios de Melhor Ficção, Melhor Caracterização e Melhor Interpretação para Catarina Avelar no Festival Caminhos do Cinema Português. A atriz encarna magistralmente a governanta Maria de Jesus, contracenando com Jorge Mota no papel de Salazar, e com as criadas, interpretadas por Vera Barreto, Carolina Amaral e Cleia Almeida.
Para José Filipe Costa “o filme lida, do princípio ao fim, com o medinho português, de que ainda não nos libertamos”. O realizador afirma que “estava interessado nos dilemas, nas contradições e nos paradoxos vividos pelas personagens dentro de São Bento. Quanto mais elas vivem uma mentira, mais real ela se torna, até se transformar numa verdade absoluta- Salazar é o presidente – mesmo que mentir seja contra a moral da altura. Fascina-me como as personagens vivem num delírio colectivo continuo, ao ponto de isso, interferir sobre a própria sanidade mental’’.
Produzido pela Uma Pedra no Sapato, com distribuição da NOS Audiovisuais, Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar estreia nos cinemas portugueses a 28 de maio, data que assinala o centenário da Revolução de 1926, que instaurou a Ditadura Militar e conduziu Salazar ao poder.
