Depois de 16 anos no forno, os pasteleiros do estúdio Laika entregaram um bolo de nível de estrela Michelin.
Não é novidade para ninguém que o Laika deve ser o estúdio com mais “motion” no negócio de stop-motion. Se eles lançam um filme, a sua base de fãs mega leal acompanha o lançamento. No entanto, esta base não é assim tão alargada e o estúdio acabou por cair num nicho de stop-motion após Coraline, sendo este o único título que obteve lucro do estúdio.
Assim, surge a pergunta – como é que este estúdio ainda está de pé se só perde dinheiro. A verdade é que Travis Knight, CEO do estúdio Laika, é filho de Phil Knight, Cofundador e ex-CEO da Nike. Sendo assim, o estúdio Laika é um grande projeto de paixão pela arte da parte do filho. Então, não importa que estes filmes só percam dinheiro? Sim e não… vamos aos argumentos:
Por um lado, o estúdio não depende do sucesso financeiro dos seus filmes porque têm financiamento externo. Por outro lado, temos uma indústria decadente, que é a indústria de stop-motion e Hollywood, sendo que Hollywood apenas vai olhar para os números que esta faz.
Com a IA a crescer, e a crescer todos os dias, temos de nos agarrar ao que ainda é humano, e o Laika é a definição disso, um estúdio que mete verdadeira paixão nos seus projetos. Escolhe-os a dedo e conta uma história que nos marcam de uma maneira ainda mais marcante.
Wildwood segue uma jovem que, em busca do seu irmão recém-raptado entra na floresta e descobre um mundo místico escondido das pessoas de Portland – uma premissa relativamente simples mas que nos prende durante os seus 130 minutos de duração. É um gosto ver estas novas histórias a serem-nos introduzidas e de uma maneira tão criativa e bela que é o stop-motion.
Tudo é meticulosamente feito e não deixam nada passar. Além de vermos personagens totalmente vivos, vemos um mundo vivo à sua volta (muito mais vivo que alguns filmes live-action) e isso é algo de louvar. Como fazem um universo tão envolvente em circunstâncias tão complicadas.
Ainda que a história não seja um destaque, Wildwood certamente surpreendeu pela positiva e é um filme que tem de ser apoiado com um estilo que deve ser preservado a todo o custo. Wildwood (Floresta Mágica) já se encontra disponível nos cinemas.
Texto escrito por Zé Marinha.
