Foi revelada hoje a programação completa do IndieLisboa 2026. Às secções já apresentadas juntam-se agora as Sessões de Abertura e de Encerramento, Competição Nacional, Competição Internacional, Silvestre, Rizoma e Novíssimos, sem esquecer as propostas de ócio do IndieFun onde se incluem o IndieByNight, o Cinema na Piscina, a Maratona da Boca do Inferno e o IndieDate.
Um bluesman em risco de ser despejado – e com a casa vão todas as memórias. Afinal, o que nos resta além dos discos e livros? O que fica para além dos detritos das pessoas que fomos sendo e querendo ser? A Sessão de Abertura (30 de Abril, 19h, Cinema São Jorge) cumpre-se com The Loneliest Man in Town, o regresso de Tizza Covi e Rainer Frimmel ao IndieLisboa, onde, em 2010, venceram o Prémio de Distribuição com La Pivellina. Para a Sessão de Encerramento (10 de Maio, 21h30, Culturgest) o filme escolhido é The History of Concrete, a prova de que tudo pode ser um filme. John Wilson (How To with John Wilson) estreia-se nas longas metragens com uma premissa ousada: depois de frequentar um workshop do Hallmark sobre como escrever e vender uma comédia romântica televisiva, nada como tentar replicar a estratégia num documentário sobre betão.
Permanecendo como uma das secções mais importantes do festival, a Competição Nacional tem 29 filmes a concurso. Novas vozes voltam a erguer-se junto a olhares já mais consolidados; o panorama é, assim, abrangente e polifónico. Em 18 Buracos para o Paraíso, de João Nuno Pinto, a mesma história (de uma propriedade rural) é contada de diferentes perspectivas. Depois de ter sido escolhido para a abertura do Festival de Roterdão, A Providência e a Guitarra, de João Nicolau, passa pelo IndieLisboa numa divertida deambulação entre tempos. Cochena, filme de estreia de Diogo Allen, acompanha o quotidiano de uma família cigana. Na Amazónia, houve em tempos um complexo industrial da Ford – Fordlândia Panacea é o segundo filme de Susana de Sousa Dias sobre este lugar que recusa o rótulo de cidade-fantasma. Em Fractais Tropicais, de Leonardo Pirondi, um investigador brasileiro procura vestígios de vida noutro planeta. Kiss And Be Friends, de Ana Baldini e Roly Witherow, é um retrato da Lisboa contemporânea: amizades tóxicas, o meio artístico e doses consideráveis de ironia e ansiedade. Um encontro espontâneo acaba numa rodagem de um filme: eis Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete (também presente na secção Smart7). De Rodrigo Braz Teixeira, Segundo Amor é sobre um fim de relação e sobre o que resta entre ambas as partes.
18 Buracos para o Paraíso, João Nuno Pinto
A Providência e a Guitarra, João Nicolau
Cochena, Diogo Allen – estreia mundial
Fordlândia Panacea, Susana de Sousa Dias
Fractais Tropicais, Leonardo Pirondi – estreia mundial
Kiss And Be Friends, Ana Baldini e Roly Witherow – estreia mundial
Óculos de Sol Pretos, Pedro Ramalhete
Segundo Amor, Rodrigo Braz Teixeira – estreia mundial
Esta é a maior selecção de curtas da história da Competição Nacional: 21 obras. É por isso uma mostra de vasta amplitude estética e de muitas assimetrias – e ainda bem. A Solidão dos Lagartos, de Inês Nunes, que passou por Cannes em 2025, decorre num spa salino rico em tensão – há quem trabalhe e há quem desfrute. Do Festival de Roterdão chega a Computadora, de Alice dos Reis, sobre uma alma à espera de ser reencarnada enquanto revisita a sua vida passada como freira. Dois e Um Gato é a primeira obra de Patrícia Saramago, relevante nome da montagem do cinema nacional que morreu no passado mês de Outubro – e que terá no final do mês de Abril um ciclo de homenagem na Cinemateca Portuguesa. Em Monstro, de Nuno Baltazar, em estreia mundial, um amigo envolve-se numa rixa enquanto o outro foge – e logo a culpa toma conta do enredo. De João Paulo Serafim, artista visual português de renome, O Intruso, a partir dos textos de Jean-Luc Nancy, María Zambrano e da minha autobiografia, também em estreia mundial, é um filme-ensaio que forma um arquivo visual muito particular a partir da experiência de uma cirurgia ao coração. Filme Pin, da dupla colombiana Maria Rojas Arias e Andrés Jurado, que estreou na Berlinale, procura vestígios das lutas internacionais contra o regime colonial português. André Santos e Marco Leão, duo que já por várias ocasiões se mostrou no IndieLisboa, regressam agora com Vivomorto: a filha vai de férias e o pai fica encarregue do seu gato, mas ele não está em lado nenhum.
o, Francisca Alarcão
A Solidão dos Lagartos, Inês Nunes
Como Mover uma Casa, Francisco Borges – estreia mundial
Computadora, Alice dos Reis
Coroa de Espinhos, Francisco Moura Relvas
Diário Antecipado, João Sarantopoulos – estreia mundial
Dog Day, David Bonneville – estreia mundial
Dois e Um Gato, Patrícia Saramago – estreia mundial
Filme Pin, Maria Rojas Arias e Andrés Jurado
Monstro, Nuno Baltazar – estreia mundial
Nabia, Sabrina D. Marques – estreia europeia
O Intruso, a partir dos textos de Jean-Luc Nancy, María Zambrano e da minha autobiografia, João Paulo Serafim – estreia mundial
O Meu Amor do Rancho, Miguel De – estreia mundial
Os Bravos, Catarina Mourão – estreia mundial
P’ra que Vivam, Carlos Lima – estreia mundial
Quietness, Gonçalo Almeida
Raw Material, James Newitt – estreia mundial
Sono Solto, Rodrigo Teixeira – estreia internacional
Vivomorto, André Santos & Marco Leão – estreia mundial
Venenus, Maria Fages
XYZ, Alexandre Alagôa
Tantas vezes ignorada, a vida do ruído que habita os pensamentos podia fundar um planeta. É algures nessa frequência que se encontram muitos dos filmes da Competição Internacional, envoltos em traumas familiares irresolúveis ou impasses da intimidade. Dry Leaf, do georgiano Alexandre Koberidze, narra a busca de um pai por uma filha que partiu para cumprir o seu projecto de longa-data: fotografar campos de futebol consumidos pelo tempo e vegetação. A longa metragem de estreia de Sophy Romvari, Blue Heron, acompanha a mudança de uma família húngara para a Ilha de Vancouver, no Canadá – através da perspectiva da filha mais nova somos confrontados com este terramoto íntimo. Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha, a primeira longa metragem da brasileira Janaína Marques, é uma viagem imaginada com o propósito de criar memórias felizes, que Rosa, deitada numa marquesa em plena ressonância magnética, não encontra dentro de si. De Stillz – mais conhecido pelo seu trabalho enquanto realizador de telediscos de gente como Bad Bunny – chega-nos Barrio Triste, o quotidiano de quatro jovens marginalizados num bairro nos arredores de Medellín que roubam uma câmara a um repórter local e desatam a documentar a sua vida; a banda sonora é de Arca.
Anoche conquisté Tebas, Gabriel Azorín
Barrio Triste, Stillz
Blue Heron, Sophy Romvari
Bouchra, Meriem Bennani e Orian Barki
Conference of the Birds, Amin Motallebzadeh
Dry Leaf, Alexandre Koberidze
Fiz um Foguete Imaginando Que Você Vinha, Janaína Marques
Frío Metal, Clemente Castor
Holy Destructors, Aistė Žegulytė
The Plant from the Canaries, Ruan Lan-Xi
Mais de três dezenas de obras. São 33 curtas metragens a concurso na Competição Internacional. Com o Tigre de Melhor Curta Metragem do Festival de Roterdão debaixo do braço, The Apple Doesn’t Fall…, do realizador chinês Dean Wei, revela uma família-fachada; pai, mãe e filha desempenham o seu papel numa coreografia a que chamam casa. Da Palestina vem Intersecting Memory – que pelo caminho ganhou o Grande Prémio do Festival de Clermont-Ferrand –, de Shayma’ Awawdeh, que tinha seis anos quando a Segunda Intifada deflagrou em Hebron; um conjunto de VHS antigas revela aquilo que a memória não conseguiu esquecer.
A Small Fiction of My Mother in Beijing, Dorothea Sing Zhang – estreia europeia Another Other, Bex Oluwatoyin Thompson
Buckskin, Mars Verrone – estreia europeia
Buda, Raphaël Kaddour
Busy Bodies, Kate Renshaw-Lewis
Certas Formas, Luiz Afonso Morêda – estreia mundial
Cycle of violence: Puppy Please!, Felicia Bergström
Détective Smiley et les amis perdus, Antoine Du Jeu – estreia internacional El Cazador, Luciana Riso, Manuel Villa – estreia internacional
El oído absoluto, Rafael Federman – estreia mundial
Fanny à la plage, Raphaëlle Petit-Gille
Fiction Contract, Carolyn Lazard
Henry is a Girl Who Likes to Sleep, Marthe Peters
Home is where the heart is, Timothée Engasser
Honey, My Love, So Sweet, JT Trinidad
Horde, Janina Ksieska
Hotel Oblique, Merlin Flügel
How to Catch a Butterfly, Kiriko Mechanicus
I Am The Film Motherfucker, But I Am Real, MeowX2
Intersecting Memory, Shayma’ Awawdeh
Ivar, Markus Tangre
Kontrewers, Zuza Banasińska
La Mort du poisson, Eva Lusbaronian
Last Tropics, Thanasis Trouboukis
Loynes, Dorian Jespers
O Rio de Janeiro Continua Lindo, Felipe Casanova
Os Arcos Dourados de Olinda, Douglas Henrique – estreia europeia Paradaïz, Matea Radic
Son, Leona Cauklija
Stallion y la Bola de Cristal, Christian Avilés
The Apple Doesn’t Fall…, Dean Wei
The Shining Tapestry, Kai Harlow
Tres, Juan Ignacio Ceballos
Também particularmente afectada pelos mundos interiores das personagens e pela exigência das relações interpessoais, a Silvestre contém 7 longas que, como manda a tradição desta secção, propõem alguma irreverência e singularidade estética e diegética. Em By Design, de Amanda Kramer – e com narração de Melanie Griffith –, Camille (Juliette Lewis) troca de corpo com uma cadeira e percebe que toda a gente prefere esta sua versão. De Pete Ohs, Erupcja decorre em Varsóvia, onde Rob (Will Maiden) vai propôr a sua namorada (Charli xcx) em casamento – mas Bethany tem outras ideias e corre atrás de Nel (Lena Gorá), uma velha amiga que há muito tempo não via; há outra questão: sempre que estão juntas, aparentemente, um vulcão entra em erupção. My Wife Cries, de Angela Schanelec, é sobre o espaço, impossível de aniquilar, entre um casal na Berlim contemporânea. Lo demás es ruido é um filme de Nicolás Pereda que é uma ode ao quotidiano como matéria-prima de excelência: uma entrevista televisiva, a hipocrisia e o sexismo no mundo da arte, as falhas de electricidade, o ladrar teimoso de um cão vizinho, a voz da Cidade do México.
By Design, Amanda Kramer
Erupcja, Pete Ohs
Lo demás es ruido, Nicolás Pereda
My Wife Cries, Angela Schanelec
Phantoms of July, Julian Radlmaier
Rose of Nevada, Mark Jenkin
The Bewilderment of Chile, Lucia Seles
As curtas metragens são sempre uma forte componente da Silvestre. Este ano apresentam-se 16 filmes, com especial destaque para a nova obra de Jan Soldat, em estreia mundial – realizador germânico que teve um foco no IndieLisboa 2015 e que prossegue, com este Playing Drunk, a exploração do fetiche e da sexualidade. Também Deep Cobalt, de Petna Ndaliko Katondolo, filme premiado no Festival de Roterdão, passa pela secção, e leva-nos até à resistência de um grupo de mineiros de cobalto na República Democrática do Congo. Return to al-Main, do colectivo multidisciplinar britânico Forensic Architecture – que utiliza as ferramentas da arquitectura para investigar casos de violação dos direitos humanos –, é a reconstrução, através de tecnologia 3D, da aldeia de al-Ma’in, terra natal do historiador palestiniano Salman Abu Sitta. Também os consagrados cineastas Jodie Mack (Lover, Lovers, Loving, Love) e don hertzfeldt (Paper Trail) trazem os seus novos filmes a Lisboa.
A South Facing Window, Lkhagvadulam Purev-Ochir
An Accident, Angelika Spangel
An Impossible Address, Suneil Sanzgiri
Deep Cobalt, Petna Ndaliko Katondolo
L’arrivée de la nuit, Marion Desseigne-Ravel – estreia internacional
Lover, Lovers, Loving, Love, Jodie Mack
Merrimundi, Niles Atallah
Normal Planet, Quentin L’helgoualc’h, Ekiem Barbier, Guilhem Causse
Notre terre d’enchantement, Annabelle Amoros – estreia mundial
OVERWORK, Celine Berger
Paper Trail, don hertzfeldt
Playing Drunk, Jan Soldat – estreia mundial
Ploo, Jon Frickey
Return to al-Main, Forensic Architecture
Taxi Moto, Gaël Kamilindi
Variations, Lur Olaizola Lizarralde – estreia internacional
A secção herdeira das Sessões Especiais volta a apresentar um menu composto. 12 longas, uma série e quatro curtas onde se encontram cineastas de relevo e temáticas que remetem para a actualidade. Este é também um lugar onde se encontram intérpretes de excelência: Rose, de Markus Schleinzer, conta com Sandra Hüller (Urso de Prata para Melhor Interpretação Principal na Berlinale) como protagonista; e The Blood Countess, de Ulrike Ottinger, tem Isabelle Huppert em versão vampiro. Um dos grandes destaques do Rizoma para 2026 é um vasto leque de filmes portugueses em estreia mundial: Auto da Casa, de Tiago Bartolomeu Costa; Esse Olhar que é só teu, de Luísa Sequeira; Mulheres de Abril, de Raquel Freire; Não Desviar o Olhar, de Júlio Alves; Noite Escura – Versão do Realizador, de João Canijo (numa homenagem ao realizador e a um filme que esteve em competição na primeira edição do IndieLisboa; O Velho Salazar, de João Botelho.
Longas metragens
À pied d’œuvre, Valérie Donzelli
Auto da Casa, Tiago Bartolomeu Costa – estreia mundial
Ghost in the Machine, Valerie Veatch
Le cri des gardes, Claire Denis
Mulheres de Abril, Raquel Freire – estreia mundial
Não Desviar o Olhar, Júlio Alves – estreia mundial
Noite Escura – Versão do Realizador, João Canijo
O Velho Salazar, João Botelho – estreia mundial
Pardo é Papel, Alexis Zelensky
Rose, Markus Schleinzer
The Blood Countess, Ulrike Ottinger
The Education of Jane Cumming, Sophie Heldman
Séries
Hal & Harper, Cooper Raiff
Curtas
Esse Olhar que é só teu, Luísa Sequeira – estreia mundial
Slet 1988, Marta Popivoda
This Suffocating Now, Vika Kirchenbauer
Vamps, Luis Miñarro – estreia internacional
A secção Novíssimos tem sido a casa comum dos primeiros fôlegos – os gestos iniciáticos de jovens cineastas em arranque de carreira ou ainda a concluir os estudos concretizam-se neste lugar. 2026 traz-nos 13 curtas com mundividências e linguagens muito distintas. Em Onde Nascem os Pirilampos, de Clara Vieira, um grupo de amigos adolescentes vai acampar: amor e um enxame de pirilampos. (as)sento, de Pedro Domingos, é um movimento experimental que sugere uma dança de objectos, no lugar das pessoas estão as cadeiras. De Miguel Brás, Reflexão, Improvisação, documenta o processo de trabalho para o novo disco de Gabriel Ferrandini, um dos nomes maiores da bateria e da música de improvisação em Portugal. De outro rosto conhecido do sector artístico nacional, o actor João Nunes Monteiro tem em Éramos Só Putos, o seu primeiro filme: um coming of age queer num campo de férias em 2007.
(as)sento, Pedro Domingos
A Culpa é da Água, Ana Leonor Guia, Marta Quintanito Roberto, Ruben Pinto e Tiago Magalhães
Abril de Helena, Maria Moreira e Victor Hugooli – estreia mundial
ALA, ALA, João Rebocho – estreia mundial
Ás, Matilde Maximino Dias
Búzio, Nádia Duarte
Dans un Souffle, Catarina Couto Gonçalves
Éramos Só Putos, João Nunes Monteiro – estreia mundial
I can see Jay there, Miguel Domingues – estreia internacional
Onde Nascem os Pirilampos, Clara Vieira – estreia mundial
Pequeno País, Nicolau Botequilha
Reflexão, Improvisação, Miguel Brás – estreia mundial
Turno da Noite, Pedro Cunha
No IndieLisboa, nem tudo decorre dentro das salas de exibição. Pela quarta edição consecutiva, o festival volta a meter os pés dentro de água. O Cinema na Piscina, em parceria com a Piscina Municipal da Penha de França, decorre nos dias 2 e 3 de Maio, no primeiro fim-de-semana do evento, e volta a proporcionar uma oferta para um espectro muito alargado de público: por um lado, à noite, as longas metragens (Les vacances de Monsieur Hulot, 1953, Jacques Tati; Barbarella, 1968, Roger Vadim; Monty Python and the Holy Grail, 1975, Terry Gilliam e Terry Jones) mais idealizadas para adultos; por outro, na tarde de sábado e na manhã e tarde de domingo, uma selecção de curtas presentes na programação IndieJúnior para crianças e famílias.
Já fora de água, talvez até com potencial para ficar fora de pé, o IndieByNight regressa com tudo. Os bares oficiais de 2026 são a Casa do Comum e as Damas. A programação da secção mais noctívaga começa logo no dia 18 de Abril, com o Warm-Up IndieLisboa, a decorrer no Purex, no Bairro Alto. No dia 1 de Maio, nas Damas, a partir do filme Quem Tem Medo de Zurita de Oliveira?, de Francisca Marvão, vamos celebrar o legado da pioneira do rock português, num concerto com várias actuações que em breve serão anunciadas. No dia 2 de Maio, de novo no Purex, a Festa da Mensagem – festa tradicional do clube lisboeta que tem Manel Moreira como host – une esforços com o IndieDate, cujo filme, este ano, é Erupcja, de Pete Ohs, e cuja sessão decorre no Cinema Ideal, bem perto do Purex. A Festa de Encerramento, por sua vez, acontece na Casa do Capitão e traz três filmes do IndieMusic para uma ocupação de três salas diferentes do espaço lisboeta propondo distintas e dançáveis texturas sonoras: The Blind Couple From Mali, de Ryan Marley, sobre a dupla maliana Amadou & Mariam; Bubbling Baby, de Sharine Rijsenburg, um documentário sobre o género musical bubbling, fundado por imigrantes caribenhos nos Países Baixos; e ainda Massa Funkeira, de Ana Rieper, que se centra no fenómeno mundial do funk-putaria que emergiu das favelas brasileiras.
Por último, de regresso às salas, a Maratona da Boca do Inferno regressa ao Cinema Ideal para uma madrugada imperdível, onde vão poder ser vistos alguns dos filmes mais estranhos (no bom sentido) do IndieLisboa ao longo de 6 horas. Além das 7 curtas presentes na secção, podem ser vistas as longas Camp (Avalon Fast), Fucktoys (Annapurna Sriram) e We Put the World to Sleep (Adrian Țofei).
A 23.ª edição do IndieLisboa reforça de forma expressiva o seu compromisso com a acessibilidade, ampliando os recursos disponíveis nas salas de cinema através de uma parceria estratégica com a Fundação MEO. Reconhecida pela sua atuação na promoção da inclusão em contextos culturais e artísticos, a Fundação MEO contribui para a disponibilização de recursos de acessibilidade, que afirmam o festival como uma referência no panorama cinematográfico nacional. No âmbito desta colaboração, todas as sessões da Competição Nacional contarão com legendagem descritiva, enquanto o IndieMusic integrará recursos de audiodescrição. Já o IndieJúnior assegura condições de plena acessibilidade, disponibilizando legendagem descritiva e interpretação em Língua Gestual Portuguesa (LGP) no ecrã em todas as sessões destinadas ao 2.º e 3.º ciclos, bem como na exibição da longa-metragem Olívia e o Terramoto Invisível.
A 23.ª edição do IndieLisboa decorre de 30 de Abril a 10 de Maio em várias salas da capital e volta a fundir trajectos e perspectivas distintas sob a lente do cinema independente. Estarão, ao todo, 241 filmes em exibição.
