LEFFEST 2026 — Programa da 20.ª edição anunciado em conferência de imprensa

LEFFEST 2026 – Programa da 20.ª edição

LEFFEST Notícias

O director do LEFFEST – NOS Lisboa Film Festival, Paulo Branco, apresentou o programa da 20.ª edição do festival, que decorrerá de 6 a 15 de novembro.

O festival arranca na máxima força, com quatro dos grandes filmes do ano na abertura, a 6 de novembro: Paper Tiger, de James Gray, na cerimónia de abertura no cinema São Jorge; Wild Horse Nine, de Martin McDonagh, o filme que provavelmente dará o Óscar a John Malkovich, que já venceu o Prémio de Melhor Actor no festival de Veneza, onde esteve em Competição, abrirá o grande auditório da Culturgest; Fjord, de Cristian Mungiu, Palma de Ouro em Cannes, abrirá a programação do cinema NOS Vasco da Gama, a nova sala do LEFFEST este ano, que assim alarga o seu raio de acção à zona oriental da cidade; e no Nimas, Possible Love, de Lee Chang-dong, Grande Prémio do Júri em Veneza, que abrirá a retrospectiva que o festival dedica ao cineasta da Coreia do Sul, naquela que será a única exibição numa sala de cinema do filme produzido pela Netflix. O filme de encerramento será The Debut, de Jesse Eisenberg, com Julianne Moore e Paul Giamatti.

Ao longo de dez dias, a Competição Oficial apresenta 11 longas-metragens a disputar o Grande Prémio NOS, atribuído por um júri presidido por David Cronenberg e composto por Angélica Liddell, Charles Burnett, Milagros Mumenthaler, Gidon Kremer e Andrea Camprincoli. A selecção reúne obras de cinematografias diversas, cruzando diferentes geografias, sensibilidades e formas de olhar o mundo: realizadores consagrados como Steven Soderbergh (The Christophers), Christophe Honoré (Mariage au goût d’orange) e Mario Martone (Scherzetto); autores que regressam com novas obras, como Valeska Grisebach (The Dreamed Adventure), Radu Jude (Le Journal d’une femme de chambre) e Kantemir Balagov (Butterfly Jam); cineastas cujos filmes têm vindo a afirmar-se no panorama internacional, como Sandra Wollner (Everytime), Emmanuel Marre (Notre Salut), Dominga Sotomayor (La perra) e Fernando Eimbcke (Moscas). A selecção inclui ainda Ela Olhava sem Nada Ver, o novo trabalho como realizadora de Fanny Ardant, com produção portuguesa, rodado nos Açores.

Na selecção oficial Fora de Competição e Antestreias destacam-se vários dos títulos premiados nos principais festivais internacionais, e muitos dos filmes que se perfilam como os grandes candidatos às nomeações para os Óscares 2027. Entre outros, o festival traz em primeira mão: Ink, de Danny Boyle; Soudain, de Ryūsuke Hamaguchi, Prémio para a Melhor Actriz em Cannes, atribuído às duas actrizes do filme, Virginie Efira e Tao Okamoto, candidato do Japão aos Óscares; El ser querido, de Rodrigo Sorogoyen; Tender Loving Care, o último opus de Mike Leigh, Concha de Ouro para Melhor Filme, Concha de Prata para Melhor Interpretação e o Prémio do Júri para Melhor Argumento no Festival de San Sebastián; Fatherland, de Paweł Pawlikowski, Prémio de Melhor Realização em Cannes e candidato da Polónia aos Óscares, na categoria de Melhor Filme Internacional; Salvation, de Emin Alper, Grande Prémio do Júri na Berlinale; Elsinore, de Simon Stone, vencedor do Prémio do Público Internacional em Toronto; Coward, de Lukas Dhont, distinguido em Cannes com o prémio de Melhor Actor, atribuído a Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, e candidato da Bélgica aos Óscares; Resurrection, de Bi Gan, Prémio Especial do Júri em Cannes; Bajañi, de Fernando Trueba; Bunker, de Florian Zeller, com Javier Bardem e Penélope Cruz;  Hugo – Victor comme tout le monde, de Pascal Bonitzer; Gentle Monster, de Marie Kreutzer; Ebenezer, de Ti West; A Talent for Murder, de Anton Corbijn; The Samurai and the Prisoner, de Kiyoshi Kurosawa; Seize moments de ma vie, de Albert Serra, com Ingrid Caven; Sheep in the Box, de Hirokazu Kore-eda; Nagi Notes, de Koji Fukada; Les Rayons et les Ombres, de Xavier Giannoli; e La Vénus électrique, de Pierre Salvadori. Completam a selecção Heysel 85, de Teodora Mihai e os muito falados e aguardados Musk, de Alex Gibney e You Can See Everything, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim, títulos que integram também o programa (i)moralidades.

A secção Descobertas atribuirá o Prémio Revelação, decidido por um júri presidido pela actriz Barbara Sukowa a um dos onze filmes de jovens realizadores e alguns realizadores com obra feita mas que não são por cá conhecidos e é importante descobrir: 9 Temples to Heaven (Quinzena dos Cineastas, Cannes; candidato da Tailândia aos Óscares), de Sompot Chidagsornpongse; Ceniza en la boca (Sessões Especiais, Cannes; Horizontes Latinos, San Sebastián), de Diego Luna; e Elephants in the Fog (Prémio do Júri Un Certain Regard, Cannes; candidato do Nepal aos Óscares de 2027), de Abinash Bikram Shah. A estes juntam-se o iraniano Falling House, de Mohsen Gharaei (Melhor Actriz — Laleh Marzban, Festival de Veneza 2026); Furies (Venice Spotlight, Veneza; candidato do Líbano aos Óscares de 2027), de Rami Kodeigh; e La Maison du vent (Prémio Luigi De Laurentiis para Melhor Primeira Obra e Prémio Especial do Júri Orizzonti, Festival de Veneza 2026), de Auguste Bernard Kouemo Yanghu. A selecção completa-se com Par 4 chemins, de Marie Vermillard, que estará presente no festival; A Professora de Francês (Horizontes Latinos, San Sebastián), de Ricardo Alves Jr., com a presença do realizador e da actriz Grace Passô; Shana (Quinzena dos Cineastas, Cannes), de Lila Pinell; Siempre soy tu animal materno (Un Certain Regard, Cannes; Prémio de Melhor Actriz, atribuído a Marina de Tavira, Daniela Marín Navarro e Mariangel Villegas), de Valentina Maurel, que também estará presente; e Until the Day Ends (Orizzonti, Veneza), de Jelena Maksimovic.

Homenagens e retrospectivas

A 20.ª edição do LEFFEST traz-nos ainda a retrospectiva integral dedicada a Lars von Trier, autor de uma obra única, que desacalma valores estabelecidos e não mantém ninguém indiferente. As estreias dos seus filmes tornavam-se um acontecimento. De O Elemento do Crime (1984) a A Casa de Jack (2018), passando por Europa (1991), Ondas de Paixão (1996), Os Idiotas (1998) ou Ninfomaníaca, na versão integral, ou às 3 temporadas da série O Reino – a primeira temporada parava literalmente as ruas da Dinamarca à hora em que era exibida na televisão, às curtas e clips, esta é a retrospectiva mais abrangente do realizador. Por razões de saúde, LVT não pode deslocar-se ao festival e convidamos alguns dos seus colaboradores de longa data – actores, directores de fotografia, montadores, argumentistas – para esta revisitação da sua obra.

Kelly Reichardt, figura central do cinema independente norte-americano, tem vindo a construir uma obra de contenção e resistência, atenta às margens, aos silêncios e às formas de vida que escapam às representações dominantes. De Old Joy (2006) a First Cow (2019), passando por Wendy & Lucy (2008) e Certain Women (2016), o seu cinema encontra no quotidiano e na paisagem uma outra escala de atenção ao mundo.

Lee Chang-dong, um dos nomes maiores do novo cinema sul-coreano, constrói uma obra atravessada pelo desejo, pelo luto e pela desigualdade social, entre a delicadeza de Poesia (2010) e o mistério de Em Chamas (2018), a que se junta Possible Love, o seu mais recente filme, apresentado em antestreia.

A retrospectiva de Sophie Letourneur permite descobrir o cinema irreverente e desarmante da realizadora francesa, atento aos embaraços, aos ritmos e às ficções da vida quotidiana, explorando as variações da comédia íntima, de La Vie au ranch (2009) e Voyages en Italie (2023) até L’Aventura, o seu filme mais recente, estreado em Portugal este ano.

O percurso de Tiago Guedes atravessa diferentes territórios da criação artística, entre o cinema, o teatro e a televisão, afirmando uma atenção particular às tensões que atravessam as relações humanas e os espaços sociais. Em Aquí (2026), adaptação da trilogia de Jesus, de J. M. Coetzee, apresentada na secção Cannes Première do Festival de Cannes, esse percurso encontra uma nova expressão.

A homenagem à actriz Barbara Sukowa recupera, por sua vez, três das interpretações marcantes de uma actriz cuja presença atravessa diferentes tradições cinematográficas: Lola (1981), de Rainer Werner Fassbinder, M. Butterfly (1993), de David Cronenberg (realizador e actriz conversarão sobre o filme), e Hannah Arendt (2012), de Margarethe von Trotta.

O ciclo temático (i)moralidades propõe uma reflexão e em perspectiva a questão moral. O programa inclui um ciclo de filmes com a presença de realizadores, entre os quais Abel Ferrara, Eva Ionesco e Catherine Breillat; antestreias (Musk, de Alex Gibney; You Can See Everything, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim; Heysel 85, de Teodora Mihai); leituras (Marquês de Sade por Catarina Wallenstein, Jean Genet por Béatrice Dalle e Georges Bataille por Angélica Liddell); um cine-concerto – L’Âge d’or, de Luis Buñuel, com Rodrigo Amado e David Maranha; eventos especiais em torno dos Sete Pecados Capitais; uma listening party do podcast “Fronteira do Medo”, do colectivo Fumaça, seguida de uma conversa sobre a violência policial. Em A Morte do Diabo, o cinema desafia as fronteiras entre o bem e o mal, o certo e o errado, num programa que reúne obras provocadoras e figuras que habitam à margem das normas e dos sistemas, com curadoria de Denis Ruzaev e Ines Branco López.

Memória do Cinema propõe um reencontro com quatro obras fundamentais, agora em cópias restauradas em 4K: Despedida de Ontem (1966), de Alexander Kluge, marco do Novo Cinema Alemão distinguido com o Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza; My Brother’s Wedding (1983), de Charles Burnett, figura maior do cinema independente norte-americano, que estará presente no LEFFEST; O Estrangeiro (1945), de Orson Welles, e La Dérive (1964), de Paula Delsol. A apresentação destes dois últimos filmes, em colaboração com a Cinemateca Francesa, ficará a cargo de Frédéric Bonnaud.

O Encontro Internacional de Escolas de Cinema reúne estudantes da ESTC, em Portugal, do INSAS, na Bélgica, e da ENAC, no México, num espaço de diálogo entre diferentes contextos e práticas de formação cinematográfica. Para além de uma competição de curtas-metragens realizadas em contexto escolar, que atribuirá o Prémio João Milagre, o programa inclui masterclasses de entrada livre, dedicadas à reflexão e à partilha de experiências sobre o que significa aprender cinema hoje.

De 6 a 15 de novembro de 2026, o LEFFEST ocupa os cinemas São Jorge, Medeia Nimas e NOS Vasco da Gama, a Culturgest e o Teatro do Bairro, transformando a cidade numa constelação de salas, encontros e revelações. Vão por lá encontrar os realizadores David Cronenberg, Charles Burnett, Milagros Mumenthaler, Kelly  Reichardt, Sophie Letourneur, Christophe Honoré, Florian Zeller, Albert Serra, Tiago Guedes, Fanny Ardant, Mario Martone, Valeska Grisebach, Emmanuel Marre, Valentina Maurel, Marie Vermillard, Abel Ferrara, Catherine Breillat, Pascal Bonitzer, Eva Ionesco, Abel Ferrara, Gabe Klinger, os actores e actrizes Barbara Sukowa, Stacy Martin, Béatrice Dalle, Jean-Marc Barr, Grace Passô, a escritora e encenadora Angélica Liddell, e tantos outros que irão conversar com o público sobre os seus filmes.

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