De 1 a 11 de outubro, a Festa do Cinema Francês regressa a Lisboa para celebrar a vitalidade, a diversidade e a irreverência do cinema francófono. Na sua 27.ª edição, o festival acontece no Cinema São Jorge, na Cinemateca Portuguesa, e alarga a sua presença ao Cinema UCI El Corte Inglés, reforçando a aposta em chegar a públicos cada vez mais amplos e diversificados.
De De Gaulle a Brigitte Bardot, do Congo ao Quebec, do drama musical à comédia negra, a 27.ª edição percorre uma pluralidade de tempos, vozes e geografias, reunindo grandes nomes do cinema francês, estreias aguardadas, novos talentos em competição e propostas que atravessam géneros, fronteiras e gerações.
Para além de Lisboa, mais de 15 cidades, entre as quais Porto, Cascais e Coimbra, recebem a Festa do Cinema Francês, com uma programação que se prolonga até ao final de novembro.
A 27.ª Festa do Cinema Francês abre com a epopeia de de Gaulle
A sessão de abertura da 27.ª Festa do Cinema Francês terá lugar no dia 1 de outubro, às 21h00, no Cinema São Jorge, com a estreia nacional de De Gaulle: Resistência (La Bataille de Gaulle: L’Âge de fer), de Antonin Baudry. O realizador debruça-se sobre um dos momentos mais decisivos da História da França contemporânea, acompanhando o futuro líder do país no pós-guerra quando parte para Londres, em junho de 1940, quase sozinho, e inicia a batalha política para manter viva a ideia de uma França Livre. Com o ator franco-arménio Simon Abkarian no papel de de Gaulle, o filme é um grande espectáculo histórico, mas sobretudo o retrato humano de um homem obstinado e contraditório — ainda longe do herói nacional que a História viria a consagrar. Estreado no Festival de Cannes, este retrato quase Don Quixotesco do General de Gaulle conquistou o público francês, tornando-se num dos filmes mais vistos do ano no país.
A Festa apresenta também De Gaulle: Liberdade (La Bataille de Gaulle: J’écris ton nom), segundo filme do díptico concebido por Baudry a partir da biografia De Gaulle: une certaine idée de la France, de Julian Jackson. Retomando a narrativa em 1942, o filme acompanha os últimos anos da guerra até à libertação de Paris, em Agosto de 1944, e ao regresso de de Gaulle a França, encerrando este ambicioso duplo projeto cinematográfico.
Uma competição que abre portas ao mundo francófono
Uma das novidades da 27.ª edição da Festa do Cinema Francês é o alargamento da Secção Competitiva a todo o território francófono, reforçando a aposta do festival na multiculturalidade e na diversidade das cinematografias que partilham a língua francesa. Primeiras e segundas obras oriundas da República Democrática do Congo, em coprodução com a República Centro-Africana; coproduções entre França e Polónia; e ligações entre Quebec e Gana, os seis filmes em competição revelam uma cinematografia francófona cada vez mais plural, onde as coproduções assumem um papel fundamental na emergência de novas vozes, olhares e talentos. Esta diversidade traduz-se também numa extraordinária variedade de géneros e abordagens — do drama musical ao cinema queer, da comédia negra ao thriller, passando pelo coming-of-age e pelo drama familiar —, numa selecção que reflecte a riqueza e a capacidade de renovação do cinema francófono contemporâneo.
A competição pelo Prémio de Melhor Filme da 27.ª Festa do Cinema Francês, reúne seis obras que chegam à Festa depois de passarem por alguns dos mais importantes festivais internacionais. Estreado em Un Certain Regard, em Cannes, Congo Boy, de Rafiki Fariala, é a primeira grande coprodução entre a República Centro-Africana e a República Democrática do Congo e valeu a Bradley Fiomona Dembeasset o prémio de Melhor Ator. Um retrato caloroso e profundamente humano, que encontra poesia no caos das zonas em guerra. Du fioul dans les artères, de Pierre Le Gall, cruza realismo social e intimidade queer numa delicada história de amor entre dois camionistas. Adieu monde cruel, de Félix de Givry, filme de encerramento da Semana da Crítica de Cannes, transforma uma história de fragilidade adolescente num conto terno e luminoso.
Apresentado na Quinzena dos Realizadores, L’Espèce explosive, de Sarah Arnold, mistura noir rural, investigação policial, humor negro e psicadelismo numa delirante comédia. Do Canadá chega Paradise, de Jérémy Comte, estreado na Berlinale, o filme aproxima as noites vibrantes de Accra dos silêncios gelados do Quebec para explorar a solidão, a vulnerabilidade e os mecanismos de sedução online. A fechar a selecção, La Frappe, de Julien Gaspar-Oliveri, é um drama familiar cru e perturbador que aborda o trauma através do silêncio e das suas marcas invisíveis, com interpretações marcantes de Diego Murgia e Bastien Bouillon.
Juntos, os filmes desenham um mapa cinematográfico que vai muito além das fronteiras francesas, afirmando a língua francesa como espaço de encontro entre culturas, geografias e novas formas de contar histórias.
O Lado BB: Brigitte Bardot para lá do mito
A 27.ª Festa do Cinema Francês, associa-se ainda à retrospectiva dedicada a Brigitte Bardot apresentada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. Atriz cuja carreira atravessou algumas das grandes transformações do cinema francês dos anos 50 e 60. Em pouco mais de duas décadas, Bardot trabalhou com realizadores tão distintos como Roger Vadim, Louis Malle, Jean-Luc Godard ou Henri-Georges Clouzot, protagonizando comédias, dramas, filmes de aventura, a sua presença no ecrã tornou-se inseparável de uma época, mas a sua filmografia revela uma atriz muito mais diversa do que a imagem de sex-symbol que o seu enorme sucesso internacional ajudou a fixar.
A partir de 1 de outubro, serão exibidos quase vinte filmes que percorrem diferentes momentos da sua carreira e revelam a diversidade dos realizadores, géneros e personagens que marcaram o seu percurso. Entre os títulos em destaque está Et Dieu… créa la femme, realizado por Roger Vadim, então marido de Bardot. Estreado em 1956, foi o filme que a lançou definitivamente como estrela internacional e transformou Saint-Tropez num destino mítico. Em Vie privée, de Louis Malle (1962), Bardot interpreta uma personagem ficcional profundamente inspirada na sua própria experiência, num retrato da fama e da perseguição incessante dos paparazzi. Em Le Mépris (1963), uma das grandes obras de Jean-Luc Godard, o realizador joga precisamente com essa imagem pública: na extraordinária arquitetura da Casa Malaparte, Bardot torna-se simultaneamente mulher, atriz, objeto de desejo e imagem cinematográfica, num filme que questiona o próprio ato de transformar uma pessoa numa imagem. Finalmente, Viva Maria! (1965), de Louis Malle, coloca-a ao lado de Jeanne Moreau, outra das grandes atrizes do cinema francês e, de certa forma, a sua antítese, numa exuberante comédia aventurosa em forma de um western passado numa América Latina imaginária.
Entre o cinema popular e a modernidade autoral, entre a comédia e o drama, O Lado BB percorre uma filmografia que permite reencontrar a atriz para lá do mito e perceber por que razão Brigitte Bardot continua a ocupar um lugar tão singular na história do cinema.
Mais cidades no mapa da 27ª Festa do Cinema Francês
Depois do arranque em Lisboa, a Festa do Cinema Francês segue viagem pelo país, mantendo a sua forte dimensão nacional e levando a programação a várias cidades de norte a sul, entre outubro e novembro. Em cada cidade, o público poderá descobrir uma seleção de filmes da 27.ª edição, através de uma rede de parceiros e espaços culturais que, ano após ano, ajudam a fazer da Festa um dos principais momentos de celebração do cinema francês em Portugal.
ALMADA
7, 12, 13, 21 e 28 de outubro
Auditório Fernando Lopes-Graça
PORTO
9 e 10 de outubro
Batalha Centro de Cinema
Cinema Passos Manuel
VILA NOVA DE GAIA
10 a 14 de outubro
UCI Arrábida 2.0
TAVIRA
13 de outubro
Teatro Municipal António Pinheiro
LAGOS
13 a 16 de outubro
Biblioteca Municipal de Lagos Júlio Dantas
COIMBRA
14 a 18 de outubro
Teatro Académico de Gil Vicente
Casa do Cinema de Coimbra
CASCAIS
21 a 25 de outubro
Casa das Histórias Paula Rego
BRAGA
27, 28 e 29 de outubro
gnration
BEJA
4 e 5 de novembro
Pax Julia – Teatro Municipal
LEIRIA
17 e 18 de novembro
Teatro Miguel Franco
SETÚBAL
19 a 22 de novembro
Cinema Charlot – Auditório Municipal
FIGUEIRA DA FOZ
20 e 21 de novembro
Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz
SANTA MARIA DA FEIRA
10, 12 e 26 de novembro
Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira
A programação definitiva, os convidados, mais cidades e a abertura da bilheteira serão anunciados proximamente.
Sobre a 27ª Festa do Cinema Francês
Organizada pela Associação Il Sorpasso, a Festa do Cinema Francês realiza-se em parceria com a Embaixada de França em Portugal, o Institut Français du Portugal e a Unifrance, integrando ainda MaisFRANÇA, o programa da criação contemporânea francesa em Portugal.
A 27.ª edição da Festa do Cinema Francês conta também com a participação de um conjunto de parceiros privados que tornam possível a realização do festival. Destacam-se a Claude et Sofia Marion Foundation, BNP Paribas, Credibom, Peugeot, JCDecaux, Victoria Seguros, DPD e Thales.
A Festa do Cinema Francês tem o apoio de várias Câmaras Municipais do país, entre as quais as autarquias de Lisboa, Coimbra, Braga, Leiria, Almada, Setúbal, Tavira, Lagos, Beja, Figueira da Foz e Santa Maria da Feira.
O festival conta ainda com a parceria da Lisboa Cultura, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e Cinemas UCI; a RTP2 como parceiro media; os parceiros de divulgação Lisbonne Affinités, C7nema e lepetitjournal.com; o apoio à programação da FNAC; e o apoio à divulgação de Infraestruturas de Portugal, Junta de Freguesia de Santo António e Turismo de Lisboa.
Sobre a Associação Il Sorpasso
Fundada em 2008, a Associação Il Sorpasso é uma entidade cultural sem fins lucrativos dedicada à promoção e divulgação do cinema internacional, com forte atividade na organização e programação de festivais e mostras de cinema. É responsável pela Festa do Cinema Italiano e pela Festa do Cinema Francês, e organiza ainda, o CineFiesta – Mostra de Cinema Espanhol, o Polska – Mostra de Cinema Polaco, a Semana do Cinema Chinês, o Luso! – Mostra Itinerante de Cinema Português na Itália e o Polar – As Longas Noites do Cinema Nórdico, colaborando também na organização do Kulturfest – Festival de Culturas de Expressão Alemã.
Ao longo da sua atividade, a Il Sorpasso tem-se afirmado como uma plataforma dinâmica e descentralizadora da oferta cultural em Portugal, apostando numa programação diversificada, itinerante e acessível, dirigida a públicos de diferentes idades e perfis e orientada para a democratização do acesso à cultura.

