Começa no dia 11 de setembro um périplo por uma obra e carreira de enorme envergadura, com o mais colossal dos ciclos que a Cinemateca já organizou: uma mostra integral dos filmes do produtor Paulo Branco, figura indelével do cinema português.
O programa intitulado Paulo Branco ou A Vã Glória de Produzir será, ao todo, composto por cerca de 270 longas-metragens que produziu ao longo de mais de 45 anos, entre 1980 e a atualidade. Os filmes serão apresentados em dez sessões por mês, ao longo de (pelo menos) dois anos e meio. De entre as quase cinco décadas de trabalho, os filmes serão escolhidos e programados em cada mês sem uma ordem cronológica ou organização categorizada por realizador.
Paulo Branco estará presente em vários momentos ao longo do ciclo: haverá, com regularidade mensal, uma conversa mais desenvolvida com o produtor sobre os filmes da retrospetiva (a de setembro ocorre quarta-feira, dia 30, às 18h, antes da sessão de BRANCA DE NEVE, às 21h), acompanhando ainda as sessões na medida da sua disponibilidade, especialmente tendo a conta a presença de convidados como a atriz e realizadora francesa Fanny Ardant, que marcará presença na sexta-feira, dia 18, às 19h, na exibição do seu filme CENDRES ET SANG.
A retrospetiva, que inaugura com a exibição de NON OU A VÃ GLÓRIA DE MANDAR, de Manoel de Oliveira, às 19h, inclui também um preâmbulo para ilustrar a primeira etapa de Paulo Branco no cinema – a de programador –, apresentando cinco dos filmes que exibiu no cinema Action République, em Paris.
Paulo Branco, nascido em Lisboa em 1950, envereda brevemente por engenharia química no Instituto Superior Técnico, para começar a sua carreira no cinema como assistente de produção no primeiro filme de António-Pedro Vasconcelos, PERDIDO POR CEM. Desenvolve a sua cinefilia entre Londres e Paris, onde a convite de Frédéric Mitterrand se torna programador de salas de cinema parisienses, até abrir a sua própria, com Action République. Aqui mostra filmes de realizadores que irá produzir mais tarde, como Ruiz, Wenders e Tanner, iniciando a ligação também a Manoel de Oliveira com a exibição de AMOR DE PERDIÇÃO (que mostramos no dia 26, sábado, às 16h).
Para além dos filmes já mencionados, a Cinemateca exibe ainda, este mês, BRITISH SOUNDS (do Grupo Dziga Vertov, no sábado, dia 12, às 19h), TRÁS-OS-MONTES (de António Reis e Margarida Cordeiro, segunda-feira, dia 14, às 19h), LA SALAMANDRE (de Alain Tanner, terça-feira, dia 15, às 19h30), L’HYPHOTHÈSE DU TABLEAU VOLÉ (de Raúl Ruiz, quarta-feira, dia 16, às 19h30), OXALÁ (de António-Pedro Vasconcelos, sábado, dia 19, às 21h30) e BORDER LINE (de Danièle Dubroux, segunda-feira, dia 21, às 19h30).
O programa completo pode ser consultado aqui.

