Vem aí a 13.ª edição da MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista

Vem aí a 13.ª edição da MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista

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De 22 a 25 de outubro, o Batalha Centro de Cinema recebe a 13.ª edição da MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista, uma iniciativa que, organizada pelo SOS RACISMO há mais de uma década, afirma no Porto a importância do cinema como espaço de reflexão, encontro, resistência e transformação social.

Num momento marcado pelo acentuar de discursos de ódio, pelo aumento da violência e da desumanização de pessoas racializadas e migrantes e pelo avanço de ideias reacionárias e supremacistas, a MICAR regressa para continuar a criar espaço para outras narrativas, outras memórias e outras formas de imaginar o mundo.

Mais do que uma mostra de cinema, a MICAR é um lugar de encontro entre filmes, artistas, comunidades, movimentos e públicos. É também uma parte importante do tecido cultural da cidade do Porto, contribuindo para uma programação cinematográfica que coloca o antirracismo no centro e que reconhece o cinema como uma ferramenta de pensamento crítico, representação e construção de comunidade.

A 13.ª edição tem como mote “Tempos Brutos, Danças Furiosas”, inspirado na escritora e ativista norte-americana Alice Walker e na ideia de uma alegria que não significa esquecer a violência do mundo, mas encontrar nela uma forma de resistência.

Este ano, a MICAR celebra a possibilidade de continuar aqui, juntos: rindo lado a lado, seguindo ombro a ombro e praticando o cuidado mútuo como uma forma de resistência.

A programação parte da tradição da Black Joy – a celebração da existência, resistência, prazer, criatividade, liberdade e comunidade negras perante o racismo – para propor quatro dias em que a alegria e a luta não são opostos, mas forças que podem coexistir.

A programação abre na quinta-feira, 22 de outubro, no Bar do Batalha, com Black Joy (2025), de Kẹ́mi Fátọba, seguindo-se um Quiz que explora as referências da Alegria Negra, com o artista, investigador e ativista Rafael Campos (aka Tuca Malungo).

Na sexta-feira, a Micarzinha dedica a manhã ao público infantojuvenil e adolescente, com filmes como Pavilhão, Checkpoint, A Maior Viagem e Ali, Aqui. Ao longo do dia, a programação passa pelo ensaio documental Black Is… Black Ain’t, de Marlon Riggs, e pelo pioneiro filme queer negro The Watermelon Woman, de Cheryl Dunye.

A noite de abertura oficial acontece com Alma Negra, do Quilombo ao Baile, de Flavio Frederico, numa celebração que continua fora da sala de cinema, com uma Afterparty nos Maus Hábitos, que reúne a performance drag clownesca de Santa Barba, o DJ Set Sapatânico de Sapatrux e a Discotecagem negra gorda cuír de Sucata.

No sábado, a MICAR propõe uma sessão de famílias com Hit the Road, de Panah Panahi, seguida de uma seleção de curtas-metragens que inclui What We Said to Brussels Airlines e As Aventuras do Angosat. A programação recupera ainda Ali, Aqui e o incontornável Tongues Untied, de Marlon Riggs, terminando o dia com Move Ya Body: The Birth of House, de Elegance Bratton.

No domingo, a programação atravessa diferentes geografias e formas de resistência, com filmes como The Flowers Stand Silently, Witnessing, de Theo Panagopoulos, e Foragers, de Jumana Manna, dedicados à herança cultural e natural da Palestina. Pongo Calling, de Tomáš Kratochvíl, propõe uma reflexão sobre ativismo e comunidades rom, enquanto Filme Pin, de María Rojas Arias e Andrés Jurado, é apresentado em diálogo com o clássico feminista de ficção científica Born in Flames, de Lizzie Borden.

A 13.ª MICAR encerra com Talking About Trees, de Suhaib Gasmelbari, um filme sobre cinema, amizade e resistência que deixa também uma promessa: para o ano, voltamos.

Durante quatro dias, a MICAR convida o público a ocupar o cinema como espaço de pensamento, de encontro e de celebração. Porque, perante tempos brutos, dançar também pode ser uma forma de resistir.

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