Crítica: Every Heavy Thing / Três estrelas e meia por Duarte Cardoso

Every Heavy Thing: Terror surrealista entre o absurdo e a nostalgia

3.5 estrelas Críticas MotelX

Every Heavy Thing, de Mickey Reece, é um thriller que combina comédia e ficção científica, resultando numa experiência analógica de terror surrealista.

A narrativa segue um vendedor de anúncios com problemas conjugais que, após uma saída noturna, testemunha um homicídio. O assassino avisa-o de que nunca poderá contar o que presenciou, avisando-o de que é capaz de monitorizar todas as suas ações e ameaçando matá-lo caso o denuncie. A partir daí, aterrorizado, o protagonista começa a interferir na investigação enquanto é assombrado por sonhos perturbadores que rapidamente se confundem com a realidade.

O ritmo frenético e atribulado do filme cria a sensação de que o espectador está constantemente a absorver informação, mesmo nos momentos aparentemente vazios. Desde a escolha dos planos até à banda sonora, passando pelo trabalho de pós-produção, cada elemento contribui decisivamente para construir a atmosfera surreal que acompanha toda a narrativa.

As personagens carecem de memorabilidade, resultado da falta de desenvolvimento e profundidade. Já as interpretações, embora não sejam brilhantes – possivelmente uma escolha deliberada para acentuar o tom satírico e as referências visuais aos filmes cult –, possuem uma expressividade exuberante que adiciona humor à trama. Destaca-se a performance de Tipper Newton, que constrói um vilão simultaneamente cómico e carismático.

A história em si oferece pouco de inovador, não apresentando elementos verdadeiramente originais nem reviravoltas inesperadas. Ainda assim, a inserção competente de texturas e elementos gráficos retro consegue invocar eficazmente a nostalgia da era VHS, conferindo ao filme uma identidade visual distintiva.

De modo geral, Every Heavy Thing resulta numa experiência cinematográfica peculiar que, embora narrativamente fraca, encontra o seu valor no território do entretenimento cult. Para os fãs de terror experimental e comédia absurda, o filme oferece momentos divertidos suficientes para compensar as suas limitações estruturais, consolidando-se como uma peça menor no cinema de género.

Classificação: 3.5 em 5 estrelas. Texto escrito por Duarte Cardoso.

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