Num universo meta há comentários internos aos controlos de peso hollywoodescos, às pressões sociais e aos medos que assombram o concílio do bem-estar com a carreira; os papéis vazios para “boas” atrizes (seja lá o que isso for) e o cordão umbilical que fica em relações pouco esclarecidas de homens crescidos com as suas mães… Trata-se de uma teia com muito para desfiar – a astúcia revela-se fulcral para uma protagonista que, em última instância, não luta só contra o mundo, luta contra parte de si mesma num hotel rústico no meio de nenhures.
É preciso digerir e o soco no estômago amortiza e dificulta o processo, fruto de uma jornada Lynchiana que Julie Pacino carrega de fumaradas, luzes tremeluzentes e episódios de dúvida entre o sonho e a memória. Confuso? Certo. Certeiro? Também.
Um filme com cheiro a Dia dos Namorados e uma profunda ironia que ainda me está a pairar na nuca.
Classificação: 3.5 em 5 estrelas. Texto escrito por Manuel Seatra.
