A LENDA DE MIRAGAIA: filme considerado perdido é agora reencontrado

A LENDA DE MIRAGAIA: filme considerado perdido é agora reencontrado

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A Cinemateca recebeu em depósito A LENDA DE MIRAGAIA (1931), um dos primeiros filmes de animação em Portugal, e entendido, até agora, como perdido.

Realizado por Raúl Faria da Fonseca e António Cunhal (irmão de Álvaro Cunhal), utiliza a técnica de animação de silhueta, a mesma usada na primeira longa-metragem de animação europeia, AS AVENTURAS DO PRÍNCIPE ACHMED, de 1926.

paradeiro deste filme era desconhecido até meados de maio, quando uma visita a vendedores de antiguidades na localização da Feira da Ladra em Lisboa deu, como resultado, a descoberta deste pequeno tesouroDuarte Veloso, cinéfilo e frequentador da Cinemateca Portuguesa viu à venda o negativo, em formato de película de nitrato de celulose. Suspeitando, pelo menos, de ser de origem portuguesa, Duarte Veloso (e o seu pai) adquiriu-o para depois perceber, ao investigar mais, que tinha em mãos algo do qual se desconhecia qualquer material fílmico.

O contacto com a Cinemateca estabeleceu-se rapidamente e, tendo sido encontrado num sábado, o negativo foi depositado no centro de conservação da Cinemateca Portuguesa, o ANIM – Arquivo Nacional das Imagens em Movimento, na seguinte quarta-feira, onde foi inspecionado e onde se confirmou a sua identificação. O material encontra-se ainda em bom estado físico e aparenta estar completo.

A LENDA DE MIRAGAIA é um filme de Raúl Faria da Fonseca e António Cunhal. Faria da Fonseca, que foi também crítico e editor, viu a sua entrada no mundo do cinema como cenógrafo/decorador. Realizou várias curtas-metragens documentais e deixou inacabada a longa-metragem Epopeia da Selva, rodada em Angola António Cunhal trabalhou sobretudo como pintor e ilustrador (quadros e gravuras suas integram a Coleção da Fundação Calouste Gulbenkian), sendo que a sua contribuição para o filme se conjetura ter sido no sentido de dominar a técnica da animação de silhuetas. Esta foi inicialmente desenvolvida e aperfeiçoada por Lotte Reininger, usando o jogo da iluminação e da contraluz, de fotograma em fotograma. Depois, diferentes realizadores desenvolveram as suas versões da técnica. A animação desta produção portuguesa da Ulyssea Filme foi feita com a utilização de uma “câmara escura” e “foto a foto”, terminando com 28.400 fotos isoladas, segundo Faria da Fonseca.

negativo será preservado e será tirada uma cópia para exibição em 35mm. O filme também será digitalizado. No ano em que se comemoram os 30 anos da inauguração do ANIM, voltará a ser exibido este filme desaparecido nos meandros da história, agora reencontrado de forma afortunada. Assim que a sua preservação seja assegurada, será programada a sua exibição na Cinemateca Portuguesa.

Esta preciosa descoberta é a prova de que ainda há muito para recuperar e mostrar na História do cinema. Caso tenha em casa algum material fílmico cuja origem desconhece, ou conheça alguém que o tenha, saiba que pode doar ou depositar qualquer filme gratuitamente na Cinemateca Portuguesa, permitindo assegurar a sua sobrevivência a longo prazo? Ajude-nos a encontrar os elos perdidos da história do cinema português, tal como fez Duarte Veloso, a quem a Cinemateca, e todos os cinéfilos portugueses, ficarão para sempre infinitamente gratos.

Saiba mais aqui.

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