No próximo domingo, dia 31 de maio, pelas 16h30, a Casa do Cinema de Coimbra recebe uma sessão especial de «Fogo do Vento» (2024), com a presença da realizadora Marta Mateus e do investigador de cinema Sérgio Dias Branco, que conduzirá a conversa após a exibição do filme.
«Fogo do Vento» é a primeira longa-metragem de Marta Mateus. Durante a vindima, com as vinhas carregadas de fruto, Soraia, uma jovem rapariga, corta-se. O sangue mistura-se com o vinho, enquanto um touro negro segue o seu rasto. À sombra das árvores, a humanidade reúne-se para partilhar pão, vinho, memórias e sonhos, revelando a história de uma paisagem e de uma luta comum. Com a chegada da noite, a natureza também ganha presença. Tudo arde.
O filme estreou na competição principal do Festival de Locarno em 2024, onde a Variety o descreveu como uma obra cheia de pensamento mágico e precisa no seu alcance antropológico, seguindo depois para o Festival de Nova Iorque, o Festival de Londres, o Doclisboa, entre outros. Em entrevista à Variety em Locarno, Marta Mateus explicou o que a motivou: «A história também é construída com imagens. Temos de perceber quais as imagens que queremos guardar, porque a imagética da guerra cria imagens de guerra. O cinema tem de agir como disrupção deste fluxo, ser o aliado da humanidade a que geralmente não nos damos ao trabalho de olhar.» E acrescentou: «Penso que hoje o cinema desempenha um papel muito importante, mas de forma muito inconsciente. Tem uma força simbólica e estimula a nossa imaginação de maneiras que não percebemos totalmente. O cinema pode ser uma força disruptiva e dar-nos uma nova consciência sobre algo, um sentimento, uma emoção. E, ao fazê-lo, cria algo novo. Como e porquê um filme nos toca também é importante.»
O júri do Festival Caminhos do Cinema Português atribuiu a Marta Mateus o Prémio de Melhor Realização, descrevendo o filme como «uma cantata agreste onde o sol e a lua atiçam o fogo do vento» e reconhecendo nele «a voz única de uma realizadora». O filme venceu ainda o Prémio Especial do Júri FIPRESCI no Festival Internacional de Cinema de Gijón.
A sessão conta com a presença de Sérgio Dias Branco, professor associado de Estudos Fílmicos na Universidade de Coimbra, onde dirige o Mestrado em Estudos Artísticos e coordena o LIPA, Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas. Investigador no CEIS20, a sua obra situa-se na confluência entre estética cinematográfica, filosofia e estudos culturais.
Os bilhetes custam 6 euros (normal) e 5 euros (reduzido), com entrada a 2 euros para sócios. Estão disponíveis em casacinemacoimbra.bol.pt e na bilheteira física, que abre 30 minutos antes da sessão. A sessão tem legendas em inglês. A Bilheteira abre meia hora antes de cada sessão. Os descontos são válidos somente nas bilheteiras físicas.
Os Associados da Caminhos do Cinema Português têm acesso a cada sessão por 2€, livre-trânsito no festival Caminhos do Cinema Português e em outras mostras e ciclos especiais organizados por esta entidade.
