Crítica: A Criada (2025) / Quatro estrelas por Luís Serra Sousa

A Criada – Os Segredos podem Destruir-nos

4 estrelas Críticas

Com a chegada da primavera, e os longos esperados dias de sol, pode parecer que o verão está quase aí, mas, neste mês de aguaceiros sorrateiros, nem tudo é o que parece.

Igualmente oscilante, na sua mudança atmosférica, o filme A Criada (2025), título original The Housemaid, foi uma das experiências mais viscerais, mas recompensantes, que tive no cinema recentemente.

O thriller, adaptado por Rebecca Sonnenshine a partir do best-seller de Freida McFadden e realizado por Paul Feig, acompanha a história de Millie (Sydney Sweeney), uma jovem desempregada e a fugir de um passado complicado, que aceita uma oferta de trabalho para a abastada e “perfeita” família Winchester: Nina (Amanda Seyfried), Andrew (Brandon Sklenar) e a jovem filha Cece (Indiana Elle).

O que inicialmente parece ser uma oportunidade de sonho rapidamente transforma-se num pesadelo, onde os segredos da família Winchester revelam ser muito mais perigosos do que Millie imaginava, embora estes não saibam que Millie também tem os seus.

As personagens, inicialmente unidimensionais, vão ganhando camadas de instabilidade e complexidade, com Amanda Seyfried a revelar todo o seu talento e a jovem Sydney Sweeney a seguir os seus passos com igual intensidade.

O filme combina drama doméstico com um suspense “campy”, explorando a tensão psicológica entre classes, algo que me fez lembrar os temas de Parasite (2019), de Bong Joon-ho, ao mesmo tempo que sublinha a contínua luta pelos direitos das mulheres e mães.

Para o realizador Paul Feig, a sua 15.ª longa‑metragem representa um novo capítulo. Conhecido sobretudo pelo seu repertório de comédias, incluindo a recente duologia Outro Pequeno Favor (2025) & Um Pequeno Favor (2018), bem como o filme original da Netflix The School for Good and Evil (2022) e o clássico, A Melhor Despedida de Solteira (2011), o cineasta dá um novo passo no universo dos thrillers, com uma história que recupera o espírito dos suspenses suburbanos dos anos 80.

A Criada, revelou-se, para mim, um thriller surpreendentemente sólido, que equilibra tensão, atmosfera e interpretações marcantes, uma excelente opção para iniciar a limpeza de primavera que as nossas watchlist bem precisam.

Classificação: 4 em 5 estrelas. Texto escrito por Luís Serra Sousa.

1 thought on “A Criada – Os Segredos podem Destruir-nos

  1. Devias ter começado a tua crítica com um alerta de que viste duas horas de automutilação visual e agora estás a recomendar isso aos outros. É tipo aqueles cultos em que tens de recrutar mais membros para justificar o teu próprio sofrimento.

    Começaste com uma metáfora meteorológica sobre “aguaceiros sorrateiros” e “nem tudo é o que parece”, o que é irónico porque a única coisa sorrateira aqui é como conseguiste esconder do leitor que este filme é uma fraude narrativa de duas horas.

    Vamos por partes, porque alguém tem de fazer o trabalho que o guião não fez:

    “As personagens, inicialmente unidimensionais, vão ganhando camadas de instabilidade e complexidade”

    CAMADAS? Meu caro, o Andrew não tem camadas. Ele tem dois post-its. Um diz “homem perfeito” e outro diz “psicopata”. O filme arranca o primeiro post-it (que já estava mal escrito) e cola o segundo (que esteve mal escondido o filme inteiro). Isto não é desenvolvimento de personagem, é um truque de magia barato executado por um ilusionista que telefonou o truque para a sala de espectáculos.

    A Nina? Mesma coisa. “Mulher louca”, rasga papel, “vítima inteligente”. Zero exploração psicológica, zero nuance, zero compreensão de como o abuso realmente funciona ou como uma pessoa que foi sistematicamente gaslighted se comportaria. Isto não são “várias camadas”, isto é a revelação superficial de 1 nova camada que substitui a camada anterior sem fornecer o desenvolvimento necessário para explorar essa camada. Ou seja, continua no permanente unidimensional.

    E a Sydney Sweeney? A “jovem” que “segue os passos com igual intensidade”? Ela começa o filme como um buraco negro de desenvolvimento, de personagem e de atuação e termina como “ah sim, ela mata homens abusivos” através de um mero flashback que não faz nada para explorar essa nova característica apresentada. A Sydney é revelada como sendo capaz de atos tortuosos tão igualmente horríveis como o Andrew só por ter morto um rapaz 1 vez quando era mais nova durante um momento emocional. O filme não faz o trabalho necessário para desenvolver como alguém que foi capaz de um assassinato passional num momento de grande tensão, agora vai para um novo extremo de tortura lenta e calculada.

    Onde estão as camadas? Mostra-me UMA cena onde alguma destas personagens toma uma decisão baseada em filosofia moral construída em vez de características básicas introduzidas e minimamente desenvolvidas. Apenas UMA.

    O filme não pode desenvolver as personagens sem estragar o twist. Então dá-nos três manequins do IKEA a representar conceitos em vez de pessoas.

    “Algo que me fez lembrar os temas de Parasite”

    Comparar The Housemaid a Parasite é comparar uma poça de vómito a uma fonte barroca. Ambas têm água, tecnicamente, mas uma é um triunfo de design arquitectónico e a outra é… bem, vómito.

    Parasite explora tensão de classes através de personagens totalmente desenvolvidas cujas decisões emergem organicamente das suas circunstâncias socioeconómicas. O filme de Bong Joon-ho constrói um comentário social devastador onde cada personagem tem agência, motivações claras, e consequências lógicas.

    The Housemaid? Tem uma empregada e pessoas ricas. É isso. Essa é a profundidade da “exploração de tensão psicológica entre classes”. É como dizer que um jogo de Monopólio onde já se perderam metade das peças e o manual de instruções explora os temas de Das Kapital com o mesmo nível de profundidade ou qualidade porque ambos mencionam dinheiro.

    “A Melhor Despedida de Solteira (2011)”

    Ah sim, Paul Feig, o homem que nos deu Bridesmaids há 14 anos e desde então tem estado a produzir mediocridade consistente como se fosse uma fábrica com controlo de qualidade invertido. Dizes que este filme “representa um novo capítulo” para ele.

    Concordo! É um novo capítulo. Especificamente, é o capítulo onde ele demonstra que a sua incompetência narrativa não é específica de género, funciona igualmente horríveis em comédias E thrillers!

    “Recupera o espírito dos suspenses suburbanos dos anos 80”

    Os suspenses dos anos 80 tinham atmosfera, tensão construída progressivamente, e vilões que eram simultaneamente ameaçadores E inteligentes. Andrew é ameaçador até ao momento em que precisas que ele seja derrotado, momento em que se transforma num absoluto idiota que:

    – Entra numa sala sem verificar se a prisioneira está realmente a dormir.

    – Deixa armas improvisadas por todo o lado (cama de metal! ripas de madeira! o catálogo completo da IKEA de objectos contundentes!)

    – Nunca antecipa que alguém possa… trazer algo afiado para dentro da sala? Tipo, é a coisa mais óbvia do mundo?

    Este homem alegadamente torturou múltiplas pessoas antes, mas foi derrotado por tácticas que uma criança de 8 anos inventaria a jogar às escondidas.

    “Um thriller surpreendentemente sólido”

    SÓLIDO?

    O filme mostra-nos uma câmara de tortura misteriosa durante DUAS HORAS e depois dá-nos DOIS desafios do Andrew. DOIS! Um onde a Nina arranca cabelo (que ela completa facilmente) e um onde a Sydney se corta (que leva directamente à sua fuga imediata).

    E o final? OH, O FINAL.

    A polícia encontra:

    – Sangue de duas mulheres pela casa toda

    – Um homem com marcas de facada, traumatismo craniano múltiplo, um dente arrancado

    – Uma esposa com historial documentado de mania

    Explicação da polícia: “Caiu nas escadas.”

    Deve ter sido a queda mais agressiva da história da física. Caiu nas escadas E de alguma forma esfaqueou-se, arrancou o próprio dente, bateu em si mesmo com uma jarra, tudo simultaneamente. As leis da gravidade em casa dos Winchester são verdadeiramente únicas.

    Mas claro, uma polícia simpática aceita tudo (como se fosse assim que o sistema de investigação criminal funcionasse) e a Sydney fica com 100.000 dólares e IMEDIATAMENTE aceita outro emprego onde (com base no wink-wink do “o meu marido é difícil”) vai claramente ter de matar outro marido.

    Porque nada diz “pessoa desesperada por estabilidade financeira que acabou de cometer homicídio” como “estabelecer-me como assassina em série de maridos na mesma indústria onde já estou ligada a uma morte suspeita”.

    “8/10”

    OITO.

    OITO EM DEZ.

    O mesmo número que eu daria a “Bogonia”, a “Sinners”, a “Shutter Island”.

    Deste 8/10 a um filme onde:

    – As personagens não existem

    – O twist é telegrafado desde o minuto 3

    – O vilão é simultaneamente um génio manipulador E burro como uma porta

    – O final ignora completamente como funciona… Tudo… Os factos mais básicos da realidade construída no filme.

    – A protagonista se torna assassina em série por… razões?

    A única explicação é que o sistema de classificação português funciona ao contrário e 8/10 na verdade significa 2/10.

    “Uma experiência visceral e recompensante”?

    A única coisa visceral foi ver dois críticos no mesmo universo, um que aparentemente viu um filme e outro que viu… o quê? O making-of? Bastidores do catering? Porque certamente não foi o mesmo filme.

    Chamaste a isto “uma excelente opção para iniciar a limpeza de primavera que as nossas watchlist bem precisam”.

    Concordo completamente! Precisamente porque depois de ver The Housemaid, vais querer limpar os teus olhos, a tua watchlist, e possivelmente a tua memória de curto prazo.

    O único “thriller sólido” aqui é o thriller de pensar que alguém pagou para fazer isto e que tu pagaste para ver.

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