Crítica: Chronovisor / Quatro estrelas por Jasmim Bettencourt

Chronovisor – Uma fábula de academia e obsessão

4 estrelas Críticas MotelX

Perdida na sua investigação académica, Beatrice Courte encontra um caso curioso de um estudioso monge beneditino italiano que inventou uma máquina capaz de captar e reproduzir imagens vindas do passado. No meio de relatos e artigos, ela navega num mar de informação misteriosa e lacónica, mergulhando cada vez mais nesta história peculiar. Envolvendo-nos na tatilidade de páginas de arquivos e filmando como um neo-noir dos anos 70, Kevin Walker e Jack Auen constroem um suspense subtilmente fantasmagórico que nos surpreende.

Consistindo principalmente em planos de páginas de artigos e livros científicos e paracientíficos, seguimos esta história de uma forma que, no papel, poderia ser absolutamente monótono, mas que acaba a absorver a nossa imaginação de forma total. Através deste aspeto, entramos verdadeiramente na mente cada vez mais sedenta desta investigadora – de uma forma mias intensa do que talvez seria possível num filme mais convencional. Sempre pela penumbra das luzes quentes e baixas de uma biblioteca em Nova Iorque, o espectador é sugado para esta investigação e o seu processo – o nosso olhar fundindo-se com o de Beatrice, a câmara sempre acompanhando-o, documentando-o.

O génio deste filme está na forma como este absorve o nosso olhar e como a fusão do nosso olhar com o de Beatrice, potenciado pela forma como é filmado, aciona a nossa imaginação de uma forma mais vivida do que talvez de outra forma. Este ambiente meditativo da investigação, no fim, torna o seu clímax explosivo de terror analógico ainda mais aterrador e tendo um impacto psicológico maior no espectador. Este é verdadeiramente um thriller psicológico académico que entra dentro da nossa psique e nos dilacera de uma forma surpreendente. No final, Chronovisor é uma fábula sobre a hubris da obsessão humana pelo conhecimento.

Classificação: 4 em 5 estrelas. Texto escrito por Jasmim Bettencourt.

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