Esta crítica não terá quaisquer spoilers.
A mais nova entrada no DCU de James Gunn chegou. Clayface realizado por James Watkins e protagonizado por Tom Rhys Harries estreou hoje nos cinemas globalmente.
Algo incomum e audaz neste projeto é ser o primeiro projeto classificado como M/18 da DCU e visto que a última entrada deste universo no cinema não teve muito sucesso (Supergirl) foi definitivamente um passo muito audaz fazer um filme de audiências reduzidas quando este precisa de uma bilheteira considerável devido aos seus (supostos) 44 milhões de dólares de budget de produção (sem contar custos de marketing).
Mesmo assim, posso dizer com confiança que este projeto não vai só fazer os 2.5x do seu orçamento para sair no lucro – vai mostrar (mais uma vez) que o público quer estas histórias mais sombrias e maduras. Não sei se vai ser regra ao redor do mundo, visto que o Box Office português é bastante imprevisível.
O filme está previsto para abrir com 35 milhões de dólares nos EUA. No entanto, com a ascensão de You Can See Everything (lançamento dia 12 de novembro nos cinemas portugueses) este número pode descer consideravelmente.
Clayface tem uma estrutura clara e não tão coesa quanto eu queria, mas não tira do aproveitamento que tirei deste filme. Sinto que para um filme de 109 minutos é difícil tripartir um filme e dar a devida importância a cada ato. No entanto, a introdução a uma personagem nova e a uma cidade totalmente nova, uma Gotham que ainda não tínhamos tido acesso na DCU. Foi feita muito rapidamente e sem muito carinho pelo protagonista, algo que numa história que depende muito da nossa empatia pelo mesmo teve em falta.
Isso não quer dizer que não criemos nenhuma conexão com o Matt, mostram-nos a partir de elementos subtis como é que ele veio de um bairro de Gotham até ao topo do mundo da atuação e acabamos por simpatizar bastante com a personagem. Sinto apenas que uma introdução que poderia ter acrescentado ao universo e à história foi deixada de parte. Talvez por escolha do estúdio para a fazerem no futuro próximo.
Algo que é importante destacar também é o body horror – o filme tem classificação de M/18 e estava à espera de algo muito mais “nojento” do que vi. Não é um filme leve de todo e não vai ser para todos os públicos. No entanto, acho que é um filme acessível que mesmo que seja preciso tapar os olhos por vezes ainda é uma experiência muito agradável, com efeitos que por vezes podiam ter sido melhor trabalhados mas não deixaram a desejar.
Não esquecer das atuações, a nossa Joana Ribeiro esteve muito bem e é incrível ver portugueses a crescer na indústria. Quanto ao Tom Rhys Harries não tenho queixas nenhumas. Uma exibição exímia dele que me surpreendeu imenso e deixou-me animado para ver mais dele, não só como o vilão.
Clayface é mais uma entrada forte neste novo universo da DC e possivelmente a melhor. Definitivamente um dos destaques do ano em terror e no geral com atuações muito fortes e body horror de arrepiar.
Texto escrito por Zé Marinha.
