Crítica: The Toxic Avenger (2025) / Duas estrelas por André Marques

The Toxic Avenger: mais limpo do que tóxico

2 estrelas Críticas MotelX

Em poucas palavras, quando um filme se apresenta como bastante ‘tóxico’ e com promessas de muito sangue e violência, e no final das contas nem tem assim tanto disso como deveria, é impossível não nos sentirmos um pouco decepcionados. Como diz o ditado, “a montanha pariu um rato”.

Não tendo visto ainda o filme original, que foi lançado em 1984, este remake poderia ter funcionado para mim, uma vez que não fui com nenhuma ideia pré-concebida ou comparativa em relação a este filme, no entanto, não o fez e não julgo ter sido também devido às minhas expectativas que tinha após ter visto um ou outro trailer do filme. Acho que aqui o problema foi aquilo a que eu apelido de ‘efeito Hollywood’, ou seja, tentou-se criar um filme diferente, que apela a um público mais específico, mas que não conseguiu fugir às garras hollywoodescas e à sua recorrente estandardização cinematográfica, o que neste caso só consegue mesmo levar o filme para um campo mais meh do que propriamente elevá-lo, o que é pena.

A narrativa em The Toxic Avenger é bastante simples e directa. Este herói tóxico não pretende salvar o mundo ou aludir a uma catástrofe da sociedade humana. Ele é assim acidentalmente, e cada morte pelas suas mãos é bastante macabra e grotesca, com muito sangue e intestinos à mostra. Simples e directo, certo? Ora, para quê complicar uma história tão singela e singular? Quando, neste contexto, se perde tempo na narrativa com histórias secundárias, que pouco acrescentam e que também não apresentam muito interesse, e com isso foge-se ao foco do filme, então a obra em si perde-se e, consecutivamente, o filme perde algum do seu brilho. Passamos assim de um filme que poderia ter uns dez ou mais momentos marcantes, de puro riso ou de simples parvoeira, para uns dois ou três momentos com esse espírito, e ficando assim um pouco aquém da sua própria proposta.

Deixo aqui um apelo: que o cinema não complique o que não é para complicar, e que propostas únicas e que tenham um objectivo muito simples e claro, que se foquem exactamente nessa mesma proposta e objectivo. A ver se o original consegue, de facto, entregar a toxicidade que este avenger tanto tentou oferecer.

Classificação: 2 em 5 estrelas. Texto escrito por André Marques.

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