Pillion marca a estreia de Harry Lighton como realizador de longa-metragem nos grandes cinemas. O filme propõe explorar a dinâmica de um relacionamento entre duas pessoas completamente distintas, ao mesmo tempo em que toca na comunidade queer, um tema que, infelizmente, tem sido pouco aprofundado ou destacado nas produções cinematográficas atuais.
No elenco, encontramos Harry Melling, conhecido pela sua participação na saga Harry Potter, no papel de Colin, e Alexander Skarsgård, veterano da indústria cinematográfica com papéis em filmes como Melancholia e The Northman, interpretando Ray.
O filme se concentra, sem dúvida, em mostrar o papel de cada indivíduo dentro da relação, acompanhado de uma comédia subtil que contrasta com a intensidade de certos momentos íntimos entre os personagens. Ao longo da trama, ambos se veem perdidos, sem saber muito bem onde estão, especialmente em relação à figura misteriosa de Ray. A relação entre Colin e o namorado se complica devido ao envolvimento da família de Colin, composta por Lesley Sharp e Douglas Hodge, que, apesar de incentivarem a busca por uma relação, acabam se isolando em uma bolha de proteção. Isso se dá pela falta de compreensão do relacionamento do filho e pelo mistério em torno do namorado, tornando a trama mais complexa.
A cinematografia se destaca pela utilização de close-ups, especialmente para retratar o universo da comunidade motard, e o som, que considero o ponto mais forte do filme. Outro destaque é o costume design, que contribui para dar uma identidade às personagens, refletindo os desafios e as experiências que elas enfrentam.
Em termos de mensagem, Pillion aborda a diferença nos papéis que cada pessoa assume em um relacionamento, e como o desejo, que muitas vezes beira a loucura, pode impedir a felicidade genuína que ambos buscam. À medida que os personagens tentam se moldar para agradar um ao outro, a relação começa a desmoronar, quando percebem que, ao se transformarem em algo que não são, a autenticidade se perde.
No entanto, o filme acaba por falhar ao apresentar uma narrativa que, durante boa parte de sua duração, repete o mesmo padrão sem aprofundar certos pontos importantes. A devoção cega não é a solução para resolver as diferenças entre os personagens, e a falta de resolução nas questões centrais acaba tornando a trama mais chocante do que realmente impactante. No fim, Pillion parece se contentar com seu efeito imediato, sem oferecer mais do que isso.
Classificação: 3 em 5 estrelas. Texto escrito por André Avelino.
