Crítica: Terra Vil / Quatro estrelas por André Marques

Terra Vil: uma ponte de cacos emocionais

4 estrelas Cinema Português Críticas

A primeira longa-metragem do realizador Luís Campos segue um caminho que parece ter vindo a caracterizar as recentes investidas cinematográficas nacionais, no que toca a nível de temáticas e na forma como consegue encapsular um local e uma tragédia, que atravessam a forma como toda uma comunidade passa a interagir entre si, como comunidade, e mesmo a sentir o seu dia-a-dia, e isso deixa-me feliz. Deixa-me assim porque é feito com muito bom gosto e nunca se deixa levar por maneirismos melodramáticos desnecessários que não acresecentam valor à obra cinematográfica.

O salto do formato curta para o formato longa parece estar já nas veias do realizador, uma vez que este navega sem qualquer tipo de constrangimento ou pudor numa duração narrativa muito mais extensa, mantendo sempre um dinamismo coeso e intrínseco no drama, que não deixa de conter os seus suspenses e de deixar o espectador sempre interessado e compenetrado.

Um dos pontos mais fortes deste Terra Vil passa, sem dúvida, pelo compasso com que o drama é, por um lado, apresentado e, por outro lado, desvendado, e isso sobressai muito mais após uma segunda visualização do filme, porque os momentos de tensão e de ação ficam mais realçados uma vez que já sabemos para onde a história vai e assim conseguimos captar melhor esses pontos na narrativa, e percebemos melhor a sua construção. Onde o filme poderá pecar mais é, por estranho que pareça, na sua própria simplicidade, que caracteriza em si o filme, mas que pode não ser suficiente para captar um certo tipo de público que não irá entregar-se por completo a esta história por esse mesmo motivo.

Com um elenco forte e transversalmente bastante competente e eficaz, tenho de destacar o jovem actor William Cesnek, que carrega às suas costas o desenrolar narrativo do filme, e onde praticamente todos os momentos de maior tensão dramática recaem, conseguindo uma interpretação de elevado calibre para alguém com tenra idade, o que possivelmente poderá ser uma amostra do que este jovem actor ainda tem para demonstrar e revelar.

Terra Vil é um dos fimes portugueses do ano, e isto representa um bom presságio para o que poderá ainda reservar este ano de 2026 em relação ao cinema português, o que assim espero. Por estes lados aguardo pelos próximos passos deste realizador no campo das longas-metragens, porque se o caminho se inicia desta forma então quero ver a sua continuidade.

Classificação: 4 em 5 estrelas. Texto escrito por André Marques.

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