A violência da guerra está cada vez mais distante de quem a pratica. No entanto, não significa que os eu efeito não tenha repercussões no núcleo de onde vem esta violência. Johnny é um piloto de drones militares assombrado por esta violência que inflige no outro lado do oceano atlântico. Nele se manifestam os remorsos de uma sociedade dormente para a violência em que assenta. Acompanhando o seu mundo psicológico e familiar, Zachary Nichols envolve-nos num pesadelo tornado mais aterrador pela sua realidade.
Onde Variations on Violence brilha é na sua explosão de imagens reminescentes do cinema de David Lynch. Nestas imagens que nos assaltam é manifestada de forma fantasmagórica a psique de uma violência alienada que não é vivida diretamente por estes pilotos mas que, no entanto, entra dentro do mundo psicológico deles, corroendo-o lentamente. Estas imagens correm de forma fulminante pelo ecrã e criam uma dimensão paralela dentro do próprio filme. São frias e alienantes, o que as torna mais arrepiantes, materializando em si esta violência distante e próxima ao mesmo tempo.
No entanto, o filme parece perder a sua força quando entra no mundano quebrado de Johnny, principalmente na relação com a sua irmã, parecendo dois filmes de qualidades diferentes em alternância. Por um lado, somos mergulhados numa visão surrealista da violência imperialista americana e as suas repercussões no seu núcleo, por outro, um drama familiar desconexo desenrola-se, onde a ligação entre as personagens não parece permitir empatia pelo seu drama.
Variations on Violence é um filme com uma visão assombrante, trazendo para o grande ecrã as experiências de pilotos de drones militares, experiências essas que ardem no nosso olhar. No entanto, também é um filme desigual que parece deambular no drama que tenta construir.
Classificação: 2 em 5 estrelas. Texto escrito por Jasmim Bettencourt.

