Cinema na Praia é a proposta do Azores Burning Summer Festival para quatro noites de cinema ao ar livre, com sessões gratuitas de 4 a 7 de Agosto, sempre às 21h, na Praia dos Moinhos, no Porto Formoso. A decorrer na esplanada de “Os Moinhos Lounge Garden”, esta programação convida o público a viver o cinema junto ao mar, num ambiente informal e de proximidade, cruzando histórias ligadas à identidade açoriana, à memória coletiva, à criação artística e ao património cultural lusófono.
Com o apoio da NOS e da Terra Nostra, o ciclo pretende estimular a comunidade para questões culturais, sociais e ambientais, promovendo o encontro entre cinema, território e reflexão. Ao longo de quatro sessões, o público é convidado a viajar pelos Açores, pela memória de catástrofes naturais, pela vida e obra de José Saramago e pelo legado musical de Orlando Pantera, reforçando o papel do cinema como espaço de descoberta, diálogo e consciência coletiva.
1ª Sessão – Terça Feira – 04 AGOSTO / 21:00h
“A Viagem Autonómica” de Filipe Tavares e Nuno Costa Santos / 2013 / Documentário e Ficção / 94’ / +12 / Ventoencanado
A escolha do tema autonomia para a peça final do curso de teatro, leva Gonçalo Cabral numa viagem à procura das figuras, dos documentos e das instituições que definiram os momentos fundamentais da construção do regime autonómico nos Açores. De mochila às costas e acompanhado pela sua velha vespa, percorre as 9 ilhas, consultando arquivos, protagonistas e especialistas. Esta viagem autonómica constrói um retrato do que foi e do que é hoje viver nos Açores. É um roteiro geográfico e sentimental de um jovem à procura da história da sua terra, da identidade colectiva e da definição de açorianidade.
2ª Sessão – Quarta Feira – 05 AGOSTO / 21:00h
“7.2” de Jorge Monjardino / 2022 / Documentário / 60’ / +12
No dia 1 de janeiro de 1980, às 15 horas e 42 minutos, ocorreu um sismo de magnitude 7,2 que atingiu as ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, nos Açores. Na ilha Terceira, registaram-se 15 600 pessoas desalojadas, 50 mortos e um desaparecido. Ficaram 4 726 casas arruinadas e 7 173 danificadas, o que correspondia a sessenta e dois por cento do parque habitacional. Na ilha de São Jorge, o número de desalojados foi de 4 400 pessoas, tendo-se registado 11 mortos e 9 desaparecidos. Foram ainda contabilizadas 574 casas arruinadas e 1 424 danificadas. Quarenta e dois anos depois, permanecem os testemunhos de quem viveu esse momento, das cicatrizes que ficaram e da forma como muitos renasceram após essa tempestade emocional. “Um terramoto é como uma tempestade no mar.”.
3ª Sessão – Quinta Feira – 06 AGOSTO / 21:00h
“José e Pilar” de Miguel Gonçalves Mendes / 2010 / Documentário / 120’ / +12 / Jump Cut, El Desejo, O2 Filmes
A Viagem do Elefante, o livro em que Saramago narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para José e Pilar, filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río. Mostra do dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, José e Pilar é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo — ou, pelo menos, em torná-lo melhor. “José e Pilar” revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. José e Pilar é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, “tudo pode ser contado de outra maneira”.
4ª Sessão – Sexta Feira – 07 AGOSTO / 21:00h
“Orlando Pantera” de Catarina Alves Costa / 2025 / Documentário / 107’ / + 12 / Laranja Azul
Este filme conta a história de Orlando Pantera, um músico e compositor cabo-verdiano que morreu tragicamente aos 33 anos, em 2001. Pantera deixou um impacto duradouro na música cabo-verdiana, contribuindo para o renascer das tradições de raiz afro, particularmente da ilha de Santiago, onde nasceu. O filme inclui materiais de arquivo filmados em 2000 pelo cineasta e acompanha hoje os encontros da filha de Pantera, que tinha apenas 6 anos quando o pai morreu, com lugares, pessoas e memórias significativas. O filme explora assim o seu legado, ao mesmo tempo que capta performances musicais únicas no meio das paisagens tropicais e acidentadas do interior da ilha de Santiago, em Cabo Verde. Artistas como Mayra Andrade, Zul Alves, Eneida, Marinu, Fattu Djakité e Princezito interpretam as suas músicas, mostrando como a sua influência continua a moldar a música cabo-verdiana contemporânea. Mais do que uma biografia, esta é uma homenagem a um artista que nunca se tornou uma estrela em vida, mas continua a ser um poderoso símbolo da identidade e cultura cabo-verdiana. Pantera morreu em 2001, aos 33 anos, sem gravar qualquer álbum próprio. Esteve sempre nos bastidores, mas estava em fase ascendente quando, uma semana antes da gravação do seu primeiro álbum, morreu. Este tributo resgata-o do anonimato. Um filme cinematográfico e poético, uma viagem sonora ao encontro dos lugares, vozes e figuras que revivem a sua música. A história de como a influência de um músico ecoa através de gerações.
Apesar de apresentarem histórias e geografias diferentes, os quatro filmes partilham uma preocupação comum: perceber de que forma a memória ajuda a construir uma comunidade.
“A Viagem Autonómica” procura compreender a identidade política e afetiva dos Açores. “7.2” preserva a memória de uma catástrofe e da capacidade coletiva de reconstrução. “José e Pilar” aproxima-nos da dimensão humana e criativa de José Saramago. “Orlando Pantera” recupera a obra de um músico cuja influência permanece viva na cultura cabo-verdiana.
Em conjunto, os filmes falam de território, pertença, resistência, criação e transmissão de memória. É essa diversidade de histórias, unida por uma forte dimensão humana, que define a programação do Cinema na Praia 2026.

