Em junho, a Cinemateca Portuguesa iniciou o projeto de reconsiderar o musical, um dos géneros mais expressivos do cinema, no âmbito do ciclo Revisitar os Grandes Géneros: O Musical.
Em julho, apresentamos mais 14 títulos (também com várias primeiras passagens) e mantém-se o desafio de não repetir autores ou obras exibidas recentemente (com exceções, novamente como manda a regra), bem como de esquivar-se a uma delimitação cronológica restritiva, sendo que o programa volta a dançar pelas décadas com destreza e desígnio.
Se em junho terminamos a primeira parte do ciclo com o ponto de exclamação que é OKLAHOMA!, de 1955, em julho, galgamos uns anos para dar início à segunda parte com o “rei do rock” em BLUE HAWAII (um filme com a dupla improvável de Elvis Presley e Angela Lansbury), trepamos depois para os anos 1990 e o CRY-BABY de John Waters, um musical polvilhado de rebeldia e contracultura – algo que veremos também, mais à frente no mês, em THE ROCKY HORROR PICTURE SHOW (Jim Sharman, 1975), o filme de culto das sessões de meia-noite mundo fora. Mas pelo meio ainda serpenteamos pelas décadas: a primeira exibição na Cinemateca de LA LA LAND (Damien Chazelle, 2016), uma reinterpretação moderna do musical que se inspira tanto em SINGIN’ IN THE RAIN como nos filmes de Jacques Demy (as suas LES DEMOISELLES DE ROCHEFORT, 1966, atravessarão o ecrã este mês também), antecede uma série de adaptações da-Broadway-ao-cinema e remakes, como CABARET (Bob Fosse, 1972), WEST SIDE STORY (2021) – este também um remake do clássico de Jerome Robbins e Robert Wise realizado por Steven Spielberg – ou VICTOR/ VICTORIA (1982) de Blake Edwards. Percorremos ainda os terrenos clássicos de THE SOUND OF MUSIC (Robert Wise, 1965) e THE BARKLEYS OF BROADWAY (Charles Walters, 1949), com Fred Astaire e Ginger Rogers, bem como as geografias inesperadas de NHA FALA (Flora Gomes, 2001) e ÓPERA DO MALANDRO (Ruy Guerra, 1986).
Para espelhar a abertura com Elvis, o penúltimo filme deste ciclo encaminha-nos para A HARD DAY’S NIGHT fabulada dos Beatles, sendo que o ciclo termina com um piscar de olho de Alain Resnais, pois sejam modernos ou clássicos, exemplos contra-cultura ou adaptações do palco, o ethos do musical é sempre o mesmo e, por isso, ON CONNAÎT LA CHANSON (1997).
