Indiana Jones e o Marcador do Destino - 3 estrelas

Ainda não é desta que Indiana Jones fecha com chave de ouro

3 estrelas Críticas

Vamos recuar ao ano de 2008, quando o sentimento geral dos fãs de cinema era o entusiasmo, já que após 19 longos anos, o aventureiro favorito do público iria regressar no filme «Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal». Steven Spielberg, George Lucas, John Williams e Harrison Ford estavam todos de volta e  as expectativas eram altíssimas, nada podia correr mal. Pois… mas não foi bem assim. Embora o filme fosse um sucesso nas bilheteiras, revelou-se uma produção sem brio e desinspirada, jogando apenas pelo seguro ao usar como proteção a nostalgia em redor do protagonista. Deste modo, o franchise foi posto de lado durante mais alguns anos com um sabor de despedida amargo.

Os anos passaram, e em 2016 foram anunciados os inevitáveis planos para um quinto filme, uma vez que a Disney não podia deixar um dos personagens mais icónicos do cinema sair pela porta pequena. No entanto, vários conflitos de ideias e a procura de um guião adequado alongaram consideravelmente a pré-produção, culminando na saída de Spielberg do projeto em 2020, sendo substituído por James Mangold. Com uma pandemia pelo meio, o filme entra finalmente em produção, contando com um orçamento recorde de 300 milhões de euros. «Indiana Jones e o Marcador do Destino» chegou aos cinemas no mês passado, e com muita pena minha, comete erros semelhantes ao seu antecessor, assim como reflete claramente o conflito de ideias da pré-produção.

Quando um cientista ex-nazi regressa à procura do Marcador do Destino, Indiana Jones é obrigado a voltar à ação junto da sua afilhada, cujos interesses são distintos dos de Jones, e moralmente questionáveis. Numa corrida contra o tempo, Jones não pode permitir que o Marcador do Destino caia nas mãos erradas, e para isso recorre à ajuda de velhos amigos e também de novos aliados.

Ora, o maior desafio deste filme estava delineado há muito, trazer de volta a atmosfera mágica dos originais, que para muitos tinha faltado ao quarto filme. A meu ver, James Mangold consegue captar esta magia na sequência inicial, que através de um trabalho técnico genial, transporta os fãs para um poço de nostalgia e divertimento. Acontece que esta  bonita atmosfera rapidamente desaparece devido à incapacidade do filme de gerar interesse para além do protagonista. Isto deve-se à insistência da produção em priorizar novos personagens sem qualquer tipo de desenvolvimento, em vez de se focar em antigos personagens que poderiam incentivar o público, o que certamente iria ampliar a emoção e as “stakes” do filme. Deste modo, a aventura, que em si é perfeitamente aceitável, é severamente afetada, pois o público não está devidamente conectado. As cenas de ação genéricas com efeitos sonoros questionáveis também não ajudam a audiência a envolver-se nesta aventura, especialmente num filme em que estas cenas deveriam ser o trunfo. Consequentemente, Indiana Jones acaba por ser o único ponto de interesse no filme e, uma vez mais, deparamo-nos com uma situação em que o filme se refugia somente no legado do protagonista.

As desavenças criativas na pré-produção tornam-se claras através da escrita de Jones, na medida em que o realizador tenta abranger o máximo de ideias possíveis de uma só vez. A dificuldade em adaptar-se ao mundo real, o envelhecimento e as perdas pessoais são todos elementos introduzidos, mas praticamente descartados e esquecidos à medida que a história progride. Mesmo assim, ainda existem grandes momentos de personagem (acompanhados de uma soundtrack genial), que servem como uma bela homenagem, não só ao personagem, mas principalmente a Harrison Ford, que nos entrega mais uma incrível performance. Ainda na casa dos elogios, tenho de destacar o esforço que este filme faz para produzir uma aventura em grande escala, ao visitar vários países e localizações, e também apreciei que a história arriscasse em momentos para dar ao público algo novo e fora da caixa, ainda que a execução não tenha sido brilhante.

Dito isto, tenho de abordar o aspecto que mais me revoltou neste filme, o desfecho. Repetitivo, decepcionante e preguiçoso são as palavras que melhor descrevem o final desta última etapa da saga. Provavelmente, Mangold terá deixado muitos fãs, onde me incluo, a questionar se quatro cavalos a rumar ao pôr do sol não teria sido o ponto certo para finalizar o franchise.

Concluindo, «Indiana Jones e o Marcador do Destino», é uma película bem-vinda à franquia, dado que é sempre um prazer testemunhar a presença de um ícone no grande ecrã. Todavia, tem a sua dose de erros e más decisões, o que acaba por desperdiçar a oportunidade de dar um desenlace perfeito a uma série de filmes universalmente amada.

Classificação: 3 em 5 estrelas. Texto escrito por Francisco Empis.

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