Este filme marca a primeira longa-metragem do realizador Carlos Amaral, realizado em 2021, e espero que seja o primeiro de muitos. O primeiro grande destaque que ressalta após vermos “Mar Infinito” é a construção de todo o seu ambiente visual em que deixa-nos, enquanto espectadores, meio que ‘mergulhados’ num meio que em parte conhecemos, mas que por outro lado quase que toca na fronteira do distópico, ou assim parece crer.
A temática narrativa aqui abordada não traz nada de muito diferente a outros filmes que já exploraram estes temas, mas o filme conquista-nos pela forma simples, mas bastante bela, com que a história é retratada, e a sua ambiência futurista é realizada de forma a encaixar perfeitamente na dinâmica do filme. Faz lembrar o estilo de David Cronenberg e a sua relação com a ficção científica, mas sem os elementos mais carnais ou de terror.
Tenho também de destacar pela positiva todas as componentes técnicas, em especial à fotografia, direcção artística e efeitos visuais, que estão todos num nível muito elevado e isso é de valorizar, principalmente no cinema português. De realçar também que o próprio realizador esteve a cargo dos efeitos visuais do filme.
De resto o filme cumpre em todas as suas vertentes, com um elenco que consegue captar perfeitamente os sentimentos que lhes assaltam as almas e as decisões e caminhos que querem (ou não) seguir. Julgo que aqui sobressai-se o trabalho do actor Paulo Calatré, que consegue incorporar numa personagem secundária todo um tipo de pensamento e ambiguidade que achei deveras interessante.
“Mar Infinito” já esteve em exibição nas salas de cinema portuguesas e estreia agora nas salas dos EUA e também em streaming. Recomendo bastante esta obra, que é uma excelente adição ao cinema português, e ao cinema português de ficção científica.
Classificação: 4 em 5 estrelas. Texto escrito por André Marques.
