Crítica: Frankenstein (2025) / Três estrelas e meia por André Marques

Frankenstein (2025): faltou mais Del Toro

3.5 estrelas Críticas

Guillermo del Toro é um daqueles realizadores sempre muito necessários, a meu ver, no sentido em que ocupa um espaço muito próprio, numa espécie de subgénero do cinema comercial que tem vida própria e uma visão própria, criando muitas vezes obras que enriquecem os espíritos e trazem narrativas interessantes ao grande ecrã. Mas esta sua adaptação da história de Frankenstein não é, muito infelizmente, uma delas.

Nesta obra eu senti quase o oposto do que costumo sentir ao ver um filme realizado por Del Toro, que é a sensação de que o material escrito é elevado por aquilo que Del Toro acrescenta ao transformar aquela escrita e palavras em cenas e cenários que nos conseguem agarrar ao ecrã e que nos envolvem na história. Aqui, senti que o livro é adaptado de forma muito honrada e respeitada, mas onde o realizador não acrescentou nada a esse mesmo material e não o elevou, fazendo com que este Frankenstein seja mais esquecido do que propriamente lembrado ou relembrado, estando, no entanto, muito bem conseguido a nível técnico e a nível de performances, mas ‘sem sal’, sem um rasgo de criatividade numa história que tem bastante potencial, e que se não fosse a força da obra literária, este filme teria sido ainda menos relevante.

Não sei se isto é um efeito dos tempos que correm, ou do facto de este ser um filme Netflix e ter tido constrangimentos a nível de produção ou de ‘estilo’, não conheço os bastidores das filmagens nem da sua produção, mas desejo que tenha sido algo assim e que não tenha sido por escolhas directas do próprio Del Toro, por exemplo. E digo isto porque Del Toro já nos provou que consegue trazer à sétima arte obras muito superiores, como o seu Pinóquio, A Forma da Água ou O Labirinto do Fauno.

Apesar de tudo, é um filme mais do que competente e que irá, sem dúvida, arrecadar umas quantas nomeações aos Óscares, por exemplo, assim como em tantos outros prémios, e muito provavelmente sem serem somente em categorias técnicas. Destacaria com mais ânimo a performance de Jacob Elordi como o próprio monstro Frankenstein, mas não consigo destacar muito mais. Esta é uma boa introdução a esta história para quem possa ainda não a conhecer, mas existem propostas mais interessantes.

Classificação: 3.5 em 5 estrelas. Texto escrito por André Marques.

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