Uma mini-série é uma estrutura que tem ganho tração junto dos públicos que se cansam de ficar tanto tempo à espera de novas temporadas quando o entusiasmo esmorece em ressaca pós-binge. Se Eu Quiser, Choro é uma mini-série da autoria de Carolina Aguiar e o website Cinema em Portugal teve o privilégio de assistir a uma antestreia em formato maratona dos primeiros três episódios no Cine-Teatro Turim, em Benfica. Segundo o comunicado da RTP, esta é “a história de uma jovem bruxa que adora ser bruxa numa produção da RTP Lab que cruza fantasia, comédia, drama e terror”.
Num espaço que almeja preservar o bairrismo de um espetador se poder sentir em casa numa sala não-comercial, há um conforto especial com cadeiras desdobráveis e um ambiente acolhedor. A ocasião acende também as primeiras luzes de outono que corroboram e embalam o universo idealizado por Carolina Aguiar.
Há pontos muito fortes a destacar e arranco desde já na sua direção. Destaco as dinâmicas fluidas de um elenco que lança a trama sem a deixar cair – Filipa Saavedra tem uma grande responsabilidade neste campo; interpretando uma personagem (Odete) com um leque embruxado de emoções e aventuras que escalam à medida dos seus improvisos numa escalada mirabolante de eventos sobrenaturais.
A própria idealização de uma família de bruxas que se refugia numa comunidade pacata e, ao mesmo tempo, alimenta o espírito mitológico que as rodeia tem uma dualidade que é intensificada pelos cliffhangers articulados com mestria no final de cada episódio. Há minisséries que podem facilmente transformar-se em longas-metragens, consoante o tempo dos espetadores e os sorrisos da satisfação de poder contemplar um elemento media que se embrulha a si mesmo, superando os estatutos banais de conteúdo e passando a muito promissor com bons artifícios narrativos e excelentes manobras de frescura performativa com uns pózinhos de Halloween.
É caso de se afiançar que fiquei na expetativa de explorar outros trabalhos da equipa e do elenco e também cá chegaram as saudades da época das mantas e dos serões de chuva domingueira colado ao ecrã.
Texto escrito por Manuel Seatra.

