Será que juntar os punhos e gritar um “Hadouken” no final caberia nas batalhas de aura que os miúdos andam a praticar por esses recreios fora? Aparentemente, o Street Fighter está vivo e tem fôlego de sobra.
Levados pelo entusiasmo adesivado a um dos videojogos mais febris de sempre, o Arcade de 1987 atravessou quase quarenta anos de história para visitar o grande ecrã com estrondo, ao colo da Paramount e da Warner Brothers numa nova fusão – Skydance. Com a japonesa Capcom de polegar para cima, as personagens vieram à tona em formato live-action e animação com cenas de nostalgia a calcar uma “origin story” para contexto macro dos protagonistas Ken e Ryu.
Há cenas de porrada fresca, assim mesmo, de pontos nos is, porrada à antiga, não fosse este um jogo de luta… O pior é que se fica por aí – bem coreografado, intenso e… e? Nada mais – uma narrativa pobre a cheirar a mofo com um vilão nível boss (que ainda não é super boss) a engendrar um torneio entre muita cara conhecida, incluindo os meio-irmãos Ryu e Ken, sob o pretexto de arrebatar poder ao máximo para si mesmo.
Há fogachos de humor ligeiro, há laços familiares em tensão e reforço, e diálogos enfadonhos, sem profundidade nem intenção. No fundo, os bonecos passam de bonecos do videojogo a bonecos do filme e tenho dúvidas a respeito da potencial acidez da ironia neste arranque atabalhoado com porte de saga e estatuto de lume a apagar pelos bocejos de uma história previsível e insípida.
Classificação: 2 em 5 estrelas. Texto escrito por Manuel Seatra.

