Crítica: The Mouths / Três estrelas por Jasmim Bettencourt

The Mouths – Como a perspetiva nos engana

3 estrelas Críticas MotelX

O terror japonês, tal como todo o resto do terror, tem uma carga histórica, manifestada em padrões narrativos que se repetem até à exaustão. Takashi Shimizu é um dos grandes arquitetos da fase mais recente deste género nacional, com filmes que o marcaram como Ju-On, em que foram introduzidos muitos destes padrões. Em The Mouths, Shimizu está consciente disso e constrói algo que tanto pode satisfazer como irritar.

Acompanhando um grupo de amigos que é amaldiçoado depois de visitar uma árvore assombrada, Shimizu brinca exatamente com noções de expectativa e perspetiva. Deixando de lado um terror de jumpscares, o espectador é mergulhado num mar de diferentes narrativas que se interseccionam e contradizem no ecrã. Com um total controlo da narrativa e do seu desenrolar, é criado um mistério que serpenteia e se transforma ao longo do filme. Desta forma, o que poderia ser só mais uma história de fantasmas japonesa revela-se como algo que potencia a reflexão sobre a própria estrutura da narrativa de terror, os seus elementos, e o próprio género. Isto é feito com um certo sentido de humor auto-consciente que nos desarma para o desenrolar do filme.

The Mouths é um filme que aparenta ser uma coisa mas, perante o olhar do espectador, se vai revelando como algo diferente e até subversivo- Partindo de uma atmosfera que já nos sentimos familiares, principalmente lembrando filmes de terror japonês dos anos 2000, surge algo inesperado, algo que assombra o próprio conceito de narrativa e as nossas expectativas.

Classificação: 3 em 5 estrelas. Texto escrito por Jasmim Bettencourt.

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